segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Capelinha de Cabeçudas

"A praia das pedras Cabeçudas ou simplesmente Cabeçudas, como é hoje conhecido o pitoresco local, amplexa, às fraldas do lado Sul, como que a acarinhar sua mais querida filha, a Capela de Sant' Ana hoje conhecida como Capela de Santa Terezinha.

Ao amanhecer do corrente século, o industrial e comerciante de Brusque, João Bauer, após patrocinar a abertura da estrada que liga Cabeçudas a Itajaí, ali construiu sua moradia de verão, no que foi seguido por outras famílias de Brusque, Blumenau e Itajaí, entre elas Currlin, Fontes, Pfeilsticker, Miranda, Heusi, Malburg, Buttner, Schauffert, Silva, Renaux, Voigt, Borba, Bornhausen e Zwolfer.

Na década de 1920, três senhoras itajaienses, Dona Ana Fontes, Dona Ana Reis e Dona Ana Werner, encabeçaram um movimento para a construção de uma capela a ser dedicada a Santa Ana, padroeira de seus próprios nomes.

Doado o terreno por Dona Ana Fontes, a capelinha foi construída em alvenaria, com um pequeno campanário a encimá-la e um belo altar entalhado em madeira onde estavam entronizadas as imagens de Sant'Ana, de Nossa Senhora da Conceição e do Bom Jesus dos Navegantes, adquiridas na tradicional casa Sucena, do Rio de Janeiro.

Nos anos 50, Irineu e Marieta Bornhausen, adquiriram na França, uma pequena imagem de Santa Terezinha do Menino Jesus, que foi então entronizada na pequena Capela de Cabeçudas.

Com o passar do tempo, Santa Terezinha passou a ser tomada como a santa da Capela, ficando Sant'Ana esquecida. Após o Concílio Vaticano II, mudada a liturgia, o antigo e artístico altar foi desmontado e as três primitivas imagens retiradas do local. Uma reforma aumentou para os fundos a área da sua capela-mor e a primitiva sacristia, anexada ao lado direito, foi demolida, cedendo lugar à nova, do lado esquerdo.

Cm 1968, a Capela de Santa Terezinha passou à égide da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, da Fazenda, desligando-se da Paróquia do Santíssimo Sacramento, de ltajaí.

Hoje, após outras reformas, a Capela de Cabeçudas se constitui em monumento histórico sacro do bairro sendo muito requisitada para casamentos e outras atividades religiosas além de ser também destacada atração turística. "

Texto: Eugênio Schauffert Neto (Nasceu em Cabeçudas, Itajaí, em 1 °/08/44. Graduou-se em Engenharia Industrial pela UFSC em 1968 e, em Macroeconomia, pelo CEPAL/ILPES, em 1970. Foi professor universitário de engenharia e comércio exterior e diretor de exportação de várias empresas da região. Após trabalhar em mais de vínte países, reside em Cabeçudas e é acadêmico do nono período de Direito, na UNIVALI); Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

Algumas páginas sobre edíficios históricos de Itajaí:

Asilo Dom Bosco, Banco Inco, Bangalô, Bar Dinamarca, Bauer e Cia, Café Democrático, Caixa da Sociedade Beneficente dos Estivadores, Capelinha de Cabeçudas, Casa Agostinho Alves Ramos, Casa Alberto Werner, Casa Almeida e Voigt, Casa Amaral, Casa Asseburg, Casa Bonifácio Schmitt, Casa Bruno Malburg, Casa Cesário, Casa da Família João Bauer, Casa das Irmãs da Imaculada Conceição, Casa Jacob Bauer, Casa Konder, Casa Lauro Müller, Casa Popular da Vila Operária, Casa Primo Uller, Casa Rauert, Casarão Burghardt, Casarão da Família Fontes, Casarão Malburg, Casarão Olímpio Miranda, Casarão Peiter, Cia. Fábrica de Papel Itajaí, Colégio São José, Edifício da Fiscalização dos Portos, Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, Farmácia Brasil, Ginásio Itajaí, Grupo Escolar Floriano Peixoto, Grupo Escolar Lauro Müller, Grupo Escolar Victor Meirelles, Herbário Barbosa Rodrigues, Hospital Santa Beatriz, Hotel Brazil, Hotel Cabeçudas, Igreja da Imaculada Conceição, Igreja da Vila Operária, Igreja do Santíssimo Sacramento, Igreja Luterana, Mercado Público, Palácio Marcos Konder, Primeira Sede da Municipalidade, Primeira Sede dos Correios, Sociedade dos Atiradores, Sociedade Guarani.

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Casa Agostinho Alves Ramos

"Ao construir sua casa, o homem pensa primeiro nas suas necessidades; as que venham garantir-lhe proteção e sobrevivência. Ao construí-la, mantém-se fiel a elementos que não o afastem da sua cultura. A arquitetura oferece esta possibilidade.

Por volta de 1822, chegou a Itajaí procedente da ilha do Desterro, Agostinho Alves Ramos com sua mulher. De origem portuguesa, Agostinho Alves Ramos muito contribuiu para a construção da nossa cidade.

Adqüiriu terras de José Coelho da Rocha, onde em 1823 edificou sua casa. Obra de incomparável valor histórico, uma das poucas casas que exemplificam a arquitetura do período colonial em nosso município. Ela não é rica em trabalhos arquitetônicos, mas seu valor histórico ultrapassa qualquer outra obra existente em Itajaí.

Situada na Rua Lauro Muller, ladeada à direita pela residência de Félix Busso Asseburg, e à esquerda, na esquina com a Praça Vidal Ramos, uma casa baixa onde se instalou uma Farmácia - Farmácia Santa Terezinha. Era uma casa com dois pavimentos, a única então construída de pedra, tijolo e cal. As paredes internas eram de taipa (pau a pique), amarradas com ripas e revestidas de barreado; uma das quatro casas assim edificadas neste período em nossa cidade.

Hoje, da casa sobra apenas a parte térrea, demolida que foi a área do sobrado nos anos de 1920. Encontra-se sem nenhum atendimento de preservação, como muitas das obras que contam a história da cidade. Das cinco portas térreas, só três continuam abertas ao público. Duas delas funcionam como salão de cabelereiros; a outra, um bar.

Pedaço da memória itajaiense do século passado que ainda assim permanecerá na memória da minha geração, na dos meus filhos e em quantas mais o Poder Público desejar empenhar-se em garantir."

Texto: Márcia D'Ávila (Itajaiense, artista plástica, professora da UNIVALI, funcionária do Museu Histórico de Itajaí, ex-Presidente da Associação dos Artistas Plásticos de Itajaí); Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

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Casa Alberto Werner

"A caminho de Brusque, a seis quilômetros da cidade de Itajaí, na localidade Carvalho, estava a conhecida Casa Alberto Werner. Era construída reunindo seis chalés, dois pavimentos, arcos em madeira, emoldurando o beirado no alto. Na parte frontal haviam três portas e na lateral direita duas, com pequenas molduras de madeira, em relevo. Duas portas frontais e uma lateral, serviam para a entrada do compartimento ocupado no comércio varejista ( secos/ molhados / louças / armarinhos).

Sua construção deu-se no ano de 1923. A pintura externa era simples combinando rosa claro com amarelo, também claro, portas em marrom, janelas brancas. Seu interior era bastante original: o teto, na sala de visitas, era pintado em toda sua extensão, um caramanchão com trepadeiras horizontalmente, logo abaixo do teto, eram ramalhetes de rosas e, verticalmente, de espaço em espaço, rosas dispersas em cores suaves. No corredor, entrando pela porta da frente, na altura de um metro, pintura em marrom claro e fundo claro, assim como veios de madeira ao fundo, à esquerda, mais espaçosa, a sala de jantar, com pintura de cachos de uva. Foi habitável até 1983 sendo demolida em 1992.

O proprietário, Alberto Pedro Werner, nasceu em 27/01/1870, foi casado com Ambrosina Leite e tiveram 14 filhos (8 homens e 6 mulheres). Iniciou sua vida como condutor de tropas de gado, juntamente com o comércio. Possuía uma pequena fazenda com criação de gado e uma olaria, que muito contribuiu na construção de residências na cidade de Itajaí, principalmente na Vila Operária, cujo início deu-se graças a criação de uma cooperativa sendo um dos membros fundadores e contribuinte com áreas de terra. Hoje neste local, existe, uma das ruas com seu nome.

Era um apaixonado por animais, principalmente cavalos. Foi um dos fundadores da Sociedade Hípica do Vale do Itajaí. Participava de corridas, e, a área que circundava sua propriedade, nos finais de semana, era ocupada por encontros de outros apaixonados pelo mesmo esporte, servindo a mesma para troca, compra e venda de cavalos.

Descende de uma família pioneira na colonização da bacia do Itajaí-Mirim. Sua participação na política só ocorreu por volta do ano de 1929, ocasião da campanha da Aliança Liberal, cuja causa abraçou com entusiasmo. Em 02/01/1932 tomou posse como Prefeito Municipal, cargo para o qual fora nomeado pelo então Interventor Federal em Santa Catarina.

Sua trajetória pela Prefeitura foi breve, pois em 02/05/1933 deixou o cargo, devido às muitas reviravoltas na política local. Não realizou grandes empreendimentos, mesmo porque eram escassos os recursos do erário naquela época. Pode sim, pôr à mostra todos os seus reconhecidos dotes de honestidade, tão engrandecidos por seus conterrâneos. Faleceu em 01/12/1939."

Texto: Adolphina Werner Cunha; Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

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Asilo Dom Bosco, Banco Inco, Bangalô, Bar Dinamarca, Bauer e Cia, Café Democrático, Caixa da Sociedade Beneficente dos Estivadores, Capelinha de Cabeçudas, Casa Agostinho Alves Ramos, Casa Alberto Werner, Casa Almeida e Voigt, Casa Amaral, Casa Asseburg, Casa Bonifácio Schmitt, Casa Bruno Malburg, Casa Cesário, Casa da Família João Bauer, Casa das Irmãs da Imaculada Conceição, Casa Jacob Bauer, Casa Konder, Casa Lauro Müller, Casa Popular da Vila Operária, Casa Primo Uller, Casa Rauert, Casarão Burghardt, Casarão da Família Fontes, Casarão Malburg, Casarão Olímpio Miranda, Casarão Peiter, Cia. Fábrica de Papel Itajaí, Colégio São José, Edifício da Fiscalização dos Portos, Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, Farmácia Brasil, Ginásio Itajaí, Grupo Escolar Floriano Peixoto, Grupo Escolar Lauro Müller, Grupo Escolar Victor Meirelles, Herbário Barbosa Rodrigues, Hospital Santa Beatriz, Hotel Brazil, Hotel Cabeçudas, Igreja da Imaculada Conceição, Igreja da Vila Operária, Igreja do Santíssimo Sacramento, Igreja Luterana, Mercado Público, Palácio Marcos Konder, Primeira Sede da Municipalidade, Primeira Sede dos Correios, Sociedade dos Atiradores, Sociedade Guarani.

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