sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Casa Rauert

Na rua Brusque, um pouco acima da esquina com a rua Uruguai, estava situada a Casa Rauert. Assim denominada por ter sido construída por Germano Rauert, comandante de intrépido veleiro que freqüentava o porto de Itajaí. O comandante Rauert, natural de Joinville, fora casado com Berta Baumgardt, nascida em Blumenau, com quem teve três filhas.

Germano Rauert faleceu em 22 de maio de 1971, aos oitenta anos e sua esposa, em 13 de setembro de 1958, aos sessenta e três anos.

A casa era um imponente chalé com as águas caindo para frente e fundos; em estilo alpino, com varanda de beiral rendilhado de lembrequins.

Os beirais, a balaustrada e as colunas da varanda são de madeira torneada ou recortada, num belíssimo trabalho de carpintaria artesanal. Construída sobre altos porões, o acesso à porta prillcipal é feito através de ampla escada de tijolos cimentados. No telhado da frente, uma mansarda ou água furtada funciona como mirante e ilumina os compartimentos do sótão.

Sem dúvida, tratava-se de exemplar ilustrativo da construção em estilo germânico, típica das regiões de colonização alemã do Vale do Itajaí e do nordeste catarinense. Mas já ostenta a influência da arquitetura brasileira, pela incorporação da varanda em arcos.

Na década de 1930, a Casa Rauert foi alugada por seus proprietários ao comerciante Israel José Tedéo, mais conhecido como Nino Tedéo, que ali morou por longos quarenta e três anos. Durante este tempo, além de residência a casa serviu também de sede para a empresa de transporte rodoviário de cargas de Nino Tedéo; tendo sido edificado grande galpão nos fundos, que servia de garagem e depósito.

De todas as edificações de arquitetura germânica ainda existentes em Itajaí - elas infelizmente já rareiam - a Casa Rauert era o único exemplar em estilo alpino, sendo por isso necessária a sua preservação.

Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

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Asilo Dom Bosco, Banco Inco, Bangalô, Bar Dinamarca, Bauer e Cia, Café Democrático, Caixa da Sociedade Beneficente dos Estivadores, Capelinha de Cabeçudas, Casa Agostinho Alves Ramos, Casa Alberto Werner, Casa Almeida e Voigt, Casa Amaral, Casa Asseburg, Casa Bonifácio Schmitt, Casa Bruno Malburg, Casa Cesário, Casa da Família João Bauer, Casa das Irmãs da Imaculada Conceição, Casa Jacob Bauer, Casa Konder, Casa Lauro Müller, Casa Popular da Vila Operária, Casa Primo Uller, Casa Rauert, Casarão Burghardt, Casarão da Família Fontes, Casarão Malburg, Casarão Olímpio Miranda, Casarão Peiter, Cia. Fábrica de Papel Itajaí, Colégio São José, Edifício da Fiscalização dos Portos, Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, Farmácia Brasil, Ginásio Itajaí, Grupo Escolar Floriano Peixoto, Grupo Escolar Lauro Müller, Grupo Escolar Victor Meirelles, Herbário Barbosa Rodrigues, Hospital Santa Beatriz, Hotel Brazil, Hotel Cabeçudas, Igreja da Imaculada Conceição, Igreja da Vila Operária, Igreja do Santíssimo Sacramento, Igreja Luterana, Mercado Público, Palácio Marcos Konder, Primeira Sede da Municipalidade, Primeira Sede dos Correios, Sociedade dos Atiradores, Sociedade Guarani.

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Casarão Burghardt

O século XIX registrou importantes mudanças no mundo e no Brasil. Enquanto na Europa a Revolução Industrial alterou todo o Panorama Social e Econômico do continente, no Brasil a chegada da Família Real, a Abertura dos Portos, a Independência, o Segundo Reinado, a Industrialização, o café e a chegada dos imigrantes, entre vários outros fatores, introduziram inovações que identificam o século passado.

O ecletismo é a expressão arquitetônica deste período, em especial das últimas décadas do século XIX.

No Sul do Brasil, onde a imigração de alemães, italianos e poloneses foi mais intensa, registra-se importante contribuição dos países de origem destes imigrantes na arquitetura eclética regional.

Dentre essas contribuições, talvez a mais notável é a proporcionada por grandes casarões assobradados dotados de frontões imponentes voltados para a rua principal.

Dentre outras cidades, Itajaí guarda excepcional conjunto de edifícios ecléticos assobradas, representados pela "Casa Malburg", "Casa Burghardt" e "Casa Konder". Todos possuem como característica comum os frontões ornamentados, apresentando fachada para a então rua principal, mas sem descuidar de ampla paisagem para o rio, onde atracavam os navios e desenvolvia-se o comércio.

Enquanto a Casa Konder é mais austera, neo-clássica, as casas Burghardt e Malburg impõe-se com dimensões, curvas e ornamentos que até então as cidades brasileiras haviam visto apenas nos frontões das igrejas.

A Casa Burghadt, edificada em 1904, mais antiga que a Malburg, evidencia um modelo que serviu de base para a segunda. Possui a fachada ornamentada com motivos clássicos e quatro frontões, um em cada lateral do edifício, influência sem dúvida da arquitetura urbana germânica.

No pavimento térreo, a ornamentação se inspira em modelo clássico, imitando uma parede de pedra, no segundo pavimento "o plano nobre" é ornado com sequência de pilastras gêmeas e o terceiro pavimento é formado por poderoso frontão que lembra o barroco da arquitetura religiosa luso-brasileira.

Internamente o edifício é esmerado, guardando decoração de paredes, pisos, forros e esquadrias, além de generosa vista para o Rio Itajaí-Açú. Trata-se de um dos mais expressivos edifícios ecléticos de Santa Catarina, com importância rcdobrada por estar inserido no conjunto urbano da Rua Lauro Muller/Pedro Ferreira, marco do nascimento e do desenvolvimento de Itajaí.

Texto: Dalmo Vieira Filho (Ex-Diretor de Patrimônio Cultural do Estado de Santa Catarina, arquiteto, professor da Universidade Federal de Santa Catarina); Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

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Casarão da Família Fontes

"O casarão da família Fontes, na Rua Dr. Pedro Ferreira n° 9, foi construído no início do século, em 1904, sendo contemporâneo dos casarões das famílias Malburg e Konder. Foi mandado construir pelo meu avô, o comerciante português Manoel Antônio Fontes, no mais nobre estilo açoriano, (ele era natural dos Açores) com janelas e sacadas na frente, duas de cada lado da porta de entrada, altíssima, com 4 metros de altura.

Para entrar na casa, subiam-se uns poucos degraus, revestidos por lindos azulejos portugueses, que levavam ao corpo da casa, elevado do chão por causa das marés e da proximidade do rio, formando assim um vasto porão. Na enchente de 1906, não entrou na casa, que serviu de abrigo a muitas pessoas.

Em seguida aos degraus, havia um corredor comprido, que dividia a casa e lá no fundo, uma confortável poltrona de onde parece que ainda vejo vovó sentada, lugar preferido de seu lazer. Na frente ficavam as salas. A sala pequena, à direita, onde eram recebidos os parentes e os íntimos.

À esquerda, a sala grande, com seus finíssimos móveis de madeira entalhada, assentos e encostos de palhinha, piso de táboas largas de pinho de Riga, o piano alemão e na parede, grandes retratos dos meus avós. Lá só eram recebidas as visitas mais ilustres.

A casa tinha muitos cômodos: três quartos, sala de jantar, uma grande copa, cozinha, dispensa, quarto de empregada, quarto de costura, banheiro no corpo da casa (o que era raro em Itajaí naquele tempo), as salas na frente e um lindo jardinzinho interno, que levava ao porão.

Havia também o sótão, com mais quartos e onde dormiam os homens da família: Henrique, Emanuel, (Nelinho) e o Thomaz. A filhas Concórdia (que faleceu moça), Crotides, Virgínia e Cici (minha mãe) ocupavam os quartos da parte térrea.

Devo falar, também do quintal, que se estendia até a Rua 15 de novembro (hoje Manoel Vieira Garção) e onde se encontravam frutas raras, como o jambo rosa vindo da Bahia, a sapota, as goiabas de várias cores, entre outras. Além da parreira que formava quase um timel, plantas medicinais que vovó cultivava e distribuía aos necessitados. Aliás, impossível falar no casarão sem falar da vovó, Dona Aninha Fontes figura por demais conhecida e estimada na cidade.

Aí passei os melhores dias da minha infância, subindo nas árvores, enquanto meu irmão prendia as gaiolas para caçar passarinhos.

Em 1987, a casa foi vendida para o Senhor Valdir Benvenutti. Como tudo mudou! A casa, demolida. O quintal, abandonado. Todos se foram. Só ficou a lembrança. Só restou a saudade."

Texto: Celeste Pfeilsticker Pereira (Neta de Manoel Antônio Fontes, nascida em Itajaí, viúva de Lucindo Pereira, membro atuante em entidades filantrópicas); Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

Algumas páginas sobre edíficios históricos de Itajaí:

Asilo Dom Bosco, Banco Inco, Bangalô, Bar Dinamarca, Bauer e Cia, Café Democrático, Caixa da Sociedade Beneficente dos Estivadores, Capelinha de Cabeçudas, Casa Agostinho Alves Ramos, Casa Alberto Werner, Casa Almeida e Voigt, Casa Amaral, Casa Asseburg, Casa Bonifácio Schmitt, Casa Bruno Malburg, Casa Cesário, Casa da Família João Bauer, Casa das Irmãs da Imaculada Conceição, Casa Jacob Bauer, Casa Konder, Casa Lauro Müller, Casa Popular da Vila Operária, Casa Primo Uller, Casa Rauert, Casarão Burghardt, Casarão da Família Fontes, Casarão Malburg, Casarão Olímpio Miranda, Casarão Peiter, Cia. Fábrica de Papel Itajaí, Colégio São José, Edifício da Fiscalização dos Portos, Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, Farmácia Brasil, Ginásio Itajaí, Grupo Escolar Floriano Peixoto, Grupo Escolar Lauro Müller, Grupo Escolar Victor Meirelles, Herbário Barbosa Rodrigues, Hospital Santa Beatriz, Hotel Brazil, Hotel Cabeçudas, Igreja da Imaculada Conceição, Igreja da Vila Operária, Igreja do Santíssimo Sacramento, Igreja Luterana, Mercado Público, Palácio Marcos Konder, Primeira Sede da Municipalidade, Primeira Sede dos Correios, Sociedade dos Atiradores, Sociedade Guarani.

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