sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mercado Público

"A edificação de um mercado público em Itajaí já possuía passado quando, em 1916, começaram a erguer-se as majestosas paredes do estabelecimento municipal para vendas à varejo de gêneros secos e molhados.

Em 1871, escutando as "súplicas" de seu tempo, o conselheiro (local) Antônio Francisco de Souza Medeiros, empenha-se em convencer seus confrades da Câmara, da necessidade de um mercado público em Itajaí. O Cel. José Henrique Flores, então político atuante, dá seu aval doando um terreno no centro da cidade. O mercado, no entanto, não chegou a materializar-se.

Transcorridos vinte anos, reaparece a idéia. Os conselheiros de então voltam a debruçar-se sobre um novo projeto para o mercado municipal a ser edificado agora, em terreno de marinha que as antigas crônicas locais denominavam "a praia do rio" (atual mercado).

Levada ao povo a "nova" promessa, os que ainda se lembravam da primeira anunciação do mercado disseram um tanto quanto céticos "vamos esperar pra ver". Não viram.

Com o novo século, uma tendência "progressista" vai se insinuando na classe política dn cidade portuária. O superintendente Marcos Konder (1915) toma então "urgentes providências" para que a construção do Mercado seja um fato.

No início de 1916 se delinea a elegante arquitetura do mercado, podendo ser percebido em sua concepção eclética, os imponentes frontões que dominam as quatro faces do edifício e uma variedade de ornamentos externos que em seu conjunto, forneciam ao estabelecimento mercante, não a singeleza das coisas práticas e sim a visão romântica qua ainda permeava a época.

Marcado por visível influência germânica, tendência dominante nas edificações do médio vale do Itajaí, o mercado público local, em contradição, assentava-se numa fração de espaço açoriano. Mas, lá dentro, no pátio interior, com sua fonte central, podia-se pensar por um momento, numa certa influência andaluza que viajou do mundo dito civilizado.

Estão presentes ainda como elementos novos na arquitetura do início do século, vários portões de ferro que fechavam as laterais do edifício, harmoniosamente trabalhados que forneciam ao estabelecimento mercante a leveza de seu artesanato singular.

Finalmente, após várias anunciações, na manhã de de 1° de janeiro de 1917, na antiga "praia do rio", hoje Praça Felix Asseburg, inaugurava-se o mercado municipal. Os que sobreviveram às várias anunciações de um mercado popular em Itajaí, puderam simplesmente arrematar... "já não sem tempo".

Texto: Sônia Mirian Teixeira Moreira (Nascida nesta cidade, é professora universitária - UNIVALI - , sendo membro fundador da PROARTE DE ITAJAÍ. No início dos anos 80 foi redatora do jornal "O Papa Siri" criado pela Comissão Municipal de Cultura, colaborou no "Jornal do Povo". Exerceu o cargo de diretora da Casa de Cultura de Itajaí, no período 1982/1983); Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

Algumas páginas sobre edíficios históricos de Itajaí:

Asilo Dom Bosco, Banco Inco, Bangalô, Bar Dinamarca, Bauer e Cia, Café Democrático, Caixa da Sociedade Beneficente dos Estivadores, Capelinha de Cabeçudas, Casa Agostinho Alves Ramos, Casa Alberto Werner, Casa Almeida e Voigt, Casa Amaral, Casa Asseburg, Casa Bonifácio Schmitt, Casa Bruno Malburg, Casa Cesário, Casa da Família João Bauer, Casa das Irmãs da Imaculada Conceição, Casa Jacob Bauer, Casa Konder, Casa Lauro Müller, Casa Popular da Vila Operária, Casa Primo Uller, Casa Rauert, Casarão Burghardt, Casarão da Família Fontes, Casarão Malburg, Casarão Olímpio Miranda, Casarão Peiter, Cia. Fábrica de Papel Itajaí, Colégio São José, Edifício da Fiscalização dos Portos, Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, Farmácia Brasil, Ginásio Itajaí, Grupo Escolar Floriano Peixoto, Grupo Escolar Lauro Müller, Grupo Escolar Victor Meirelles, Herbário Barbosa Rodrigues, Hospital Santa Beatriz, Hotel Brazil, Hotel Cabeçudas, Igreja da Imaculada Conceição, Igreja da Vila Operária, Igreja do Santíssimo Sacramento, Igreja Luterana, Mercado Público, Palácio Marcos Konder, Primeira Sede da Municipalidade, Primeira Sede dos Correios, Sociedade dos Atiradores, Sociedade Guarani.

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Palácio Marcos Konder

A cidade de Itajaí conheceu importante surto desenvolvimentista no período compreendido entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Os edifícios ecléticos que ainda marcam a cidade, apesar do desleixo administrativo que permitiu a demolição de vários deles, documentam este período.

O ecletismo é a expressão das alterações sócio-econômicas típicas do século XIX, introduzidas pela revolução industrial. O homem, agora, dominador das forças tremendas da máquina, acreditou que o mundo, as ciências e a história lhe pertenciam quase que sem ressalvas: tudo era permitido ao senhor da natureza. Assim, o ecletismo apresenta-se profusamente ornamentado, buscando inspiração em todas as cìvilìzações até então desconhecidas.

Existem construções ecléticas baseadas em motivos cretenses, egípcios e orientais, predominando porém as inspirações baseadas nos diversos períodos da cultura ocidental: clássico, medieval, neo-coloniais variados etc.

O Palácio Marcos Konder é um exemplar tipicamente eclético, apresentando ornamentos clássicos nas pilastras e cimalhas que o compartimentam e nas aberturas em arco pleno. A grande janela existente sobre o hall do edifício possui características Art-Noveau, ressaltada pelos torreões existentes em cada extremidade do edifício, encimadas por curiosa cobertura inspirada em modelos centro-europeus.

Sua situação urbana é inovadora, na extremidade da Rua Hercílio Luz, fato que representou importante indução à transformação desta via em rua principal da cidade, em substituição à atual Lauro Muller, a via principal do período pré-madeireiro de Itajaí.

O Palácio está recuado em todas as divisas do terreno, talvez a mais antiga implantação desta natureza existente em Itajaí, o que lhe permite estar cercado por jardim, conferindo-Ihe excepcional participação no cenário urbano da cidade.

Ainda dentro das características gerais do ecletismo, vale ressaltar o porão alto e a platibanda, além dos detalhes internos onde destaca-se a bela escadaria em madeira, o esmero nos acabamentos do piso, do forro c das esquadrias do pavimento nobre.

O Palácio Marcos Konder, cuja inauguração se deu a 22 de outubro de 1925, é um dos mais importantes edifícios da arquitetura oficial de Santa Catarina, marco de uma página da História da Arquitetura, do Urbanismo e da cidade de Itajaí.

Texto: Dalmo Vieira Filho (Ex-Diretor de Patrimônio Cultural do Estado de Santa Catarina, arquiteto, professor da Universidade Federal de Santa Catarina); Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

Algumas páginas sobre edíficios históricos de Itajaí:

Asilo Dom Bosco, Banco Inco, Bangalô, Bar Dinamarca, Bauer e Cia, Café Democrático, Caixa da Sociedade Beneficente dos Estivadores, Capelinha de Cabeçudas, Casa Agostinho Alves Ramos, Casa Alberto Werner, Casa Almeida e Voigt, Casa Amaral, Casa Asseburg, Casa Bonifácio Schmitt, Casa Bruno Malburg, Casa Cesário, Casa da Família João Bauer, Casa das Irmãs da Imaculada Conceição, Casa Jacob Bauer, Casa Konder, Casa Lauro Müller, Casa Popular da Vila Operária, Casa Primo Uller, Casa Rauert, Casarão Burghardt, Casarão da Família Fontes, Casarão Malburg, Casarão Olímpio Miranda, Casarão Peiter, Cia. Fábrica de Papel Itajaí, Colégio São José, Edifício da Fiscalização dos Portos, Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, Farmácia Brasil, Ginásio Itajaí, Grupo Escolar Floriano Peixoto, Grupo Escolar Lauro Müller, Grupo Escolar Victor Meirelles, Herbário Barbosa Rodrigues, Hospital Santa Beatriz, Hotel Brazil, Hotel Cabeçudas, Igreja da Imaculada Conceição, Igreja da Vila Operária, Igreja do Santíssimo Sacramento, Igreja Luterana, Mercado Público, Palácio Marcos Konder, Primeira Sede da Municipalidade, Primeira Sede dos Correios, Sociedade dos Atiradores, Sociedade Guarani.

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Primeira Sede da Municipalidade

"Durante o período do Império (1822 a 1889), quem administrava o município era a Câmara Municipal. A ela incumbiam as tarefas legislativas e executivas. Por isso, o presidente da Câmara de Vereadores era também o executivo municipal.

Foi a partir da implantação do regime republicano que separam-se as funções, surgindo a figura do Superintendente, depois, Prefeito Municipal, chefe do poder local.

Quando se instalou o Município de Itajaí, em 15 de junho de 1860, seus vereadores tiveram que se reunir em casa alugada, por falta de sede própria para se instalar a administração municipal. Por muitos anos, a administração itajaiense submeteu-se a diversos senhorios.

A idéia de se construir ou adquirir um edifício próprio apareceu pela primeira vez, na sessão da Câmara de Vereadores de 26 de junho de 1873. Ela não prosperou. Em 24 de janeiro de 1884, nova resolução autorizou a edificação de um edifício municipal no terreno aos fundos da atual Igreja da Imaculada Conceição. Mas a obra foi embargada porque o vigário reclamou a posse do terreno para a igreja.

Afinal, a 5 de novembro de 1888, a Câmara Municipal fechou contrato de compra do imóvel pertencente ao mestre-pedreiro Guilherme Müller, situado à rua Dom Pedro II, atual rua XV de Novembro, que passou a ser a primeira sede própria da administração municipal e ondc funcionavam a Câmara de Vereadores e a sede da Comarca de Itajaí.

A partir da proclamação da República e até 1925, aí também funcionou a Superintendêncía Municipal (Prefeitura Municipal).

O prédio era uma construção baixa de alvenaria de tijolos, em estilo luso-brasileiro e cobertura de duas águas com telhas de barro, estilo capa e canal. A fachada do edifício estava marcada por uma porta principal, ladeada por duas janelas à direita e à esquerda, com duas aberturas em arco. Embora sem nenhum aspecto monumental, o edifício no entanto guardava certa elegância devido à harmonia e à beleza singela dos acabamentos frontais.

Vendido pelo município a particulares, a histórica construção foi demolida na década dc 1980 para dar lugar ao atual Edifício Solane."

Texto: Rosni Ferreira (Professor da UNIVALI - Direito do Trabalho e Previdência Social. Procurador Geral do Município de Itajaí. Autor de diversas obras sobre Direito Previdenciário); Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

Algumas páginas sobre edíficios históricos de Itajaí:

Asilo Dom Bosco, Banco Inco, Bangalô, Bar Dinamarca, Bauer e Cia, Café Democrático, Caixa da Sociedade Beneficente dos Estivadores, Capelinha de Cabeçudas, Casa Agostinho Alves Ramos, Casa Alberto Werner, Casa Almeida e Voigt, Casa Amaral, Casa Asseburg, Casa Bonifácio Schmitt, Casa Bruno Malburg, Casa Cesário, Casa da Família João Bauer, Casa das Irmãs da Imaculada Conceição, Casa Jacob Bauer, Casa Konder, Casa Lauro Müller, Casa Popular da Vila Operária, Casa Primo Uller, Casa Rauert, Casarão Burghardt, Casarão da Família Fontes, Casarão Malburg, Casarão Olímpio Miranda, Casarão Peiter, Cia. Fábrica de Papel Itajaí, Colégio São José, Edifício da Fiscalização dos Portos, Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, Farmácia Brasil, Ginásio Itajaí, Grupo Escolar Floriano Peixoto, Grupo Escolar Lauro Müller, Grupo Escolar Victor Meirelles, Herbário Barbosa Rodrigues, Hospital Santa Beatriz, Hotel Brazil, Hotel Cabeçudas, Igreja da Imaculada Conceição, Igreja da Vila Operária, Igreja do Santíssimo Sacramento, Igreja Luterana, Mercado Público, Palácio Marcos Konder, Primeira Sede da Municipalidade, Primeira Sede dos Correios, Sociedade dos Atiradores, Sociedade Guarani.

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