sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Igreja da Imaculada Conceição

"Foi junto àquela meia-água chamada "Casinha de Nossa Senhora", porque abrigava a Virgem da Conceição, que foram construídos a primeira capela e o cemitério em terreno doado pelo casal José Coelho da Rocha e Maria Coelho da Rocha, a 02 de abril de 1824, regozijo à Paróquia de Itajaí, fundada em 31 de março daquele ano.

Entre 1837 e 1840, a capela fora substituída pela Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição, feita parte de tijolos e parte de pedras. Hoje nós a denominamos, afetivamente, "Igrejinha Velha", porque nas cimalhas, nos capitéis, nas colunas estas, parte da última Igreja - está impregnada a sensibilidade cristã da sociedade itajaiense! A torre, a posterior parte do coro, o átrio e o Batistério datam de 1889.

Na nave esquerda, todos os anos em outubro, celebrava-se a "Florzinha Gentil do Carmelo", a simpática Santa Terezinha. Junto ao altar-mor instalado em 1828 todo de canela-de-lei, dourado, estilo romano, fazia-se a coroação de Nossa Senhora, no último dia dos maios cheirosos de monsenhor branco, trazidos pelas "filhas-de-Maria", e do incenso que se esparzia pelo espaço sacro, incenso que tem hoje, cheiro de saudade...

O relógio de 1898 anunciava a hora para a Missa do Galo, e às santas alvoradas da Ressurreição. Lindas e alegres celebrações natalinas, com o cheiro das roupas novas e a felicidade saída das àrvores iluminadas e coloridas! Aqui neste relicário, se concentra o trabalho e dedicação de sacerdotes e fiéis!..Por que a recordação é mais bela do que a realidade?

Os passos arrastados do seu Florindo, sacristão zeloso, italiano de fé, ainda se ouve nas providências para acender todas as velas, ajeitar as flores, terminando o seu ritual quando batia o sino da porta da Sacristia convidando o celebrante para o santo ofício! Do coro chegava às nossas almas em oração, o canto que se imortalizou na lembrança de todos nós: coraçao santo, tu reinarás... Tu nosso encanto sempre serás!"

Texto: Rosa de Lourdes Vieira Silva; Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

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Igreja da Vila Operária

"Qual o coração, dentre os antigos moradores da Vila Operária, que não bate forte e se emociona ao relembrar a velha Igreja Nossa Senhora da Paz?

O terreno destinado a sua construção foi doado pela Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Ltda. Construtora catarinense, empreendimento idealizado por José Eugênio Muller, com o objetivo de criar vilas operárias, através da venda de lotes e construção de casas populares. Esta cooperativa foi a responsável pela criação e desenvolvimento do bairro Vila Operária.

Construída em meados da década de vinte por um descendente de italiano, Primo Uller, pontificou impávida, na pracinha, durante quarenta e cinco anos.

A Igreja da Vila, como ficou conhecida, nunca chegou a ser Paróquia, e até hoje, permanece como um dos três templos vinculados à Paróquia do Ssmo. Sacramento de Itajaí.

Em 1971, depois de uma discussão sobre a necessidade de se construir uma igreja maior e capaz de abrigar todos os fiéis da Vila Operária, bairro que apresentava grande desenvolvimento, chegou-se a um consenso de que o melhor seria mesmo demolir a velha igreja e edificar um novo, funcional e mais espaçoso templo.

A comissão da Igreja Nossa Senhora da Paz, responsável pela demolição e construção do novo templo, era integrada pelos seguintes membros: Valdemiro Pereira, Presidente, Genésio Rodrigues Pereira, secretário, ambos já falecidos, e Henrique Pinotti, tesoureiro.

Henrique Pinotti confidenciou que ele e o Primo Uller, na época da demolição da velha igreja, vasculharam o terreno, palmo a palmo, com o intuito de descobrir os documentos enterrados, quando do lançamento da "pedra fundamental" aproximadamente, na sua observação, em 1926, sem lograrem êxito.

Segundo ele, a construção levou pelo menos três anos e foram gastos Cr$ 186.000 (cento e oitenta e seis mil cruzeiros), incluindo-se mão-de-obra e material. A nova Igreja Nossa Senhora da Paz foi inaugurada em 09 de novembro de 1975, por Dom Afonso Niehues, Arcebispo Metropolitano, sendo o vigário, na época, o Rev. Padre Egídio Bertotti."

Texto: Sydney Schead dos Santos (Professor da UNIVALI - Chefe do gabinete do Reitor da UNIVALI); Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

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Igreja do Santíssimo Sacramento

A paisagem de Itajaí é dominada por um edifício de perspectiva gótica, arcos românicos e seis torres. As frontais atingem a 50 metros de altura. Os 700 mil tijolos, artisticamente organizados numa área de 30m de largura por 60m de comprimento, formam o corpo do templo católico - a matriz do Santíssimo Sacramento situado no terreno que abrigava o Cemitério Municipal que foi desativado e o espaço urbanizado com a construção da Matriz e a Praça Irineu Bornhausen.

Seu interior abriga um tesouro. Estrelas e capitéis folheados a ouro da Itália, e sobre estes, figuras de anjos que sustentam tochas acesas. No campanário, sinos alemães fundidos em aço. Cinquenta e cinco vitrais formam três séries de janelas, com os temas: "os 6 mistérios centrais da fé cristã"; "os 7 sacramentos"; "as 8 belaventuranças".

Do presbitério vê-se, sobre a entrada do Templo, a majestosa Rosácea, vitral em forma de Hóstia, donde raios de luz jorram. Em 6 altares de márnore, dezenas de pinturas e esculturas sacras, e centenas por todo o interior.

No teto de estuque, os italianos Emílio Sessa e Aldo Locatelli puseram suas marcas mágicas. Ao centro, Locatelli representou Nossa Senhora da Imaculada Conceição, e sobre os dois altares, as figuras dos Corações de Jesus e de Maria, à esquerda e à direita, respectivamcnte.

Emílio Sessa reproduziu, ao redor da obra de Locatelli, os símbolos dos 49 títulos atribuídos à Virgem Maria, na ladainha de Nossa Senhora, e suas inscrições latinas. Sobre o púlpito, a obra de Teichmann, em madeira, um Moisés descendo 0 Monte Sinai, com as tábuas da lei.

Há quatro capelas laterais com vitrais, que recordam a devoção ali invocada. Quem contempla esta rica e bela obra, precisa saber que se sonhava com ela, desde 1914. Mas, o vigário que a começaria, fugiu, acusado de espionagem - era a 1a. Guerra Mundial. Foi o Pe. José Locks que encomendou o projeto final a Simão Gramlich, um arquiteto autodidata alemão, residente em Blumenau e iniciou a obra em 11 de fevereiro de 1941.

Os mestres da obra foram Manoel Dono Morgado, espanhol e Félix Reichert. A obra pára nas sapatas. Não há recursos. Vende-se o Colégio São José. Há dinheiro, mas não há material - é a 2a. Guerra Mundial. O Pe. Locks, perseguido, foge e é acusado de roubo. Retorna e se defende.

A benção do primeiro tijolo é dada em 15 de novenlbro de 1942, por Dom Joaquim Domingues de Oliveira, que não gostara do projeto. Foi padrinho, Aldo Petrelli.

De 1944 a 1947 a obra foi desacelerada por falta de dinheiro. Em 1948 Monsenhor Vendelino Hubold a reacelera. O mestre Morgado é demitido. Assume Honório Borinelli, sob protesto de Gramlich e acresce-se ao projeto a pirâmide existente entre as torres frontais.

A obra, orçada em 600 contos de réis e que custou 30 mil contos de réis, foi inaugurada por Monsenhor Vendelino, em 15 de novembro de 1955, depois de 15 anos de trabalho e de um sonho de quase meio século."

Texto: José Ângelo Rebelo (Engenheiro Agrônomo, pela UFSC, Master Science em Fitotecnia/Fitopatologia com trabalhos publicados nestas áreas. Pesquisador da EPAGRI S/A e secretário da Confederação Latino-Americana de Horticultura. Nascido em Camboriú, SC); Ilustração: Lindinalva Deóla da Silva

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