domingo, 17 de julho de 2011

O analista de Bagé

Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vêm de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta.

Estas histórias do psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, história apócrifa é mentira bem educada) mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar.

Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.

- Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.

- O senhor quer que eu deite logo no divã?

- Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.

- Certo, certo. Eu ...

- Aceita um mate?

- Um quê? Ah, não. Obrigado.

- Pos desembucha.

- Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?

- Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.

- Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe.

- Outro...

- Outro?

- Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.

- E o senhor acha...

- Eu acho uma pôca vergonha.

- Mas...

- Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!

Contam que outra vez um casal pediu para consultar, juntos, o analista de Bagé. Ele, a princípio, não achou muito ortodoxo.

- Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira...

Mas acabou concordando.

- Se abanquem, se abanquem no más. Mas que parelha buenacha, tchê! Qual é o causo?

- Bem - disse o homem - é que nós tivemos um desentendimento...

- Mas tu também é um bagual. Tu não sabe que em mulher e cavalo novo não se mete a espora?

- Eu não meti a espora. Não é, meu bem?

- Não fala comigo!

- Mas essa aí tá mais nervosa que gato em dia de faxina.

- Ela tem um problema de carência afetiva...

- Eu não sou de muita frescura. Lá de onde eu venho, carência afetiva é falta de homem.

- Nós estamos justamente atravessando uma crise de relacionamento, porque ela tem procurado experiências extraconjugais e...

- Epa. Opa. Quer dizer que a negra velha é que nem luva de maquinista? Tão folgada que qualquer um bota a mão?

- Nós somos pessoas modernas. Ela está tentando encontrar o verdadeiro eu, entende?

- Ela tá procurando o verdadeiro tu nos outros?

- O verdadeiro eu, não. O verdadeiro eu dela.

- Mas isso tá ficando mais enrolado que linguiça de venda. Te deita no pelego.

- Eu?

- Ela. Tu espera na salinha.
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Por: Luís Fernando Veríssimo

Fonte: VERÍSSIMO, Luís Fernando. O gigolô das palavras. Porto Alegre: L&PM, s.d. .p. 78-80.
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sábado, 16 de julho de 2011

Deu mãozinha no milagre

É o milagre que ajuda o padre ou é o padre que ajuda o milagre? Pelo menos em tese, o milagre deveria ajudar o padre. Entretanto, o piedoso Padre Poclat, do bairro de Senador Canedo, em Goiânia, resolveu que — na prática - pode ser contrário.

O telegrama vindo de lá diz assim: "Por ter umedecido uma imagem de Jesus Cristo, fabricada em gesso, para fazê-la chorar, o Padre Poclat foi advertido pelo Arcebispo de Goiânia, Dom Fernando Go­mes que lhe determinou a cessação imediata de explora­ções sobre a imagem, sob pena de ser castigado pela Igreja".

Diz que o vivíssimo sacerdote, diante da vazante em seu templo, resolveu ser mais realista do que o rei (ou mais divino do que Deus, se preferem) e anunciou, du­rante a missa, que a imagem de Nosso Senhor Jesus Cris­to, ali entronizada, começara a chorar de desgosto. Foi o quanto bastou para que a plebe ignara ficasse mais assa­nhada que um galo velho no galinheiro das frangas. Uma grande romaria mandou-se para o local.

Mas parece que o Arcebispo — embora não sendo Alziro Zarur, que fala com Jesus em vários programas de rádio, todos patrocinados — desconfiou do milagre e man­dou sindicar. O resultado foi o já descrito: uma bronca do Arcebispo para a qual o Padre Poclat teve uma resposta realmente desconcertante: mandou dizer ao superior que o "milagre" se transformara numa situação de fato "que nem Dom Fernando pode mais deter".

É a coragem de afirmar de que fala Eça de Queiroz em "A Relíquia". O negócio é ter peito para afirmar; o resto pode deixar que a crendice popular funciona me­lhor do que o melhor dos public relations.

O exemplo desse milagreiro de araque serve para ilustrar a teoria do escritor português e serve também para ilustrar o dito que Tia Zulmira costuma repetir, precisamente para casos como esse do Padre Poclat: "Certos padres, quando pe­dem para Deus, estão pedindo para dois".
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Por: Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto).

Fonte: FEBEAPÁ 1: primeiro festival de besteira que assola o país / Stanislaw Ponte Preta; prefácio e ilustração de Jaguar. — 12. ed. — Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 1996.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011

A maior voz da década de 1950



Frank Sinatra (Francis Albert Sinatra), cantor e ator, nasceu em Hoboken, New Jersey, EUA, em 12/12/1915, e faleceu em Los Angeles, California, EUA, em 14/5/1998. Considerado uma das maiores vozes da década de 1950 e com mais de 50 anos de carreira, iniciou sua carreira durante a Swing Era e lançou centenas de canções imortalizadas em sua voz, como Killing Me Softly, Strangers in the Night, New York, New York, My Way, Fly Me to the Moon, entre outras.

Filho de imigrantes italianos, foi casado com Nancy Barbato e posteriormente com as atrizes Ava Gardner e Mia Farrow, e com a socialite Barbara Marx, com quem terminou seus dias. Possui duas estrelas na Calçada da Fama, uma por seu trabalho na música e outra por seu trabalho na TV americana. É considerado um dos maiores intérpretes da música no século XX. Teve três filhos: Nancy Sinatra, Frank Sinatra Jr., e Tina Sinatra.

Sem nenhum treinamento formal, Sinatra desenvolveu estilo altamente sofisticado. Sua habilidade em criar uma longa e fluente linha musical sem pausas para respiração, sua manipulação de frases o fez chegar bem mais longe que o usual dos cantores populares.

Artista de grande popularidade, participou da campanha de Franklin Delano Roosevelt para a presidência da república dos Estados Unidos. Seus discos na época vendiam 10 milhões de cópias por ano e Sinatra passou a ser conhecido como "the voice" ("a voz").

No começo dos anos 1950, Sinatra enfrentou vários problemas. Foi acusado de participar da máfia e de envolver-se com o crime organizado. Ao mesmo tempo, seu romance com a atriz Ava Gardner tornou-se público e transformou-se num escândalo, uma vez que Sinatra ainda era casado.

A grande reviravolta ocorreu em 1953, com o lançamento do filme A um Passo da Eternidade. Por sua primorosa atuação no filme, Sinatra ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante. Reconquistando a popularidade, em 1955 foi indicado novamente ao Oscar de melhor ator pelo filme O Homem do Braço de Ouro.

Nas duas décadas seguintes, Sinatra realizou em média um filme por ano. Sua carreira de cantor também cativou mais e mais o público. Milhões de fãs por todo o mundo compraram os seus discos e assistiram às memoráveis apresentações do "blue eyes", como ficou conhecido. Contratado por uma nova gravadora, a Capitol Records, conquistou três álbuns de platina. Sinatra aproximou-se também da bossa nova, gravando canções do compositor Tom Jobim.

Em 1966, Sinatra casou-se com a atriz Mia Farrow, trinta anos mais jovem. O casamento durou dois anos. Oito anos depois, casou-se com Bárbara Marx, que abandonou seu marido, o ator Zeppo Marx, para viver com Sinatra.

Participou ainda de alguns filmes nas décadas de 1970 e 1980. Em 1988, emprestou sua voz para a animação Uma cilada para Roger Rabit.

Teve seu próprio show de TV durante vários anos e nos anos 90 continuou na ativa em concertos e gravações, onde lançou uma série de duetos, inclusive via satélite, utilizando recursos da mais moderna tecnologia.

Seus principais sucessos são Fly me to the moon, My Way e New York, New York. Sinatra também cantou com o brasileiro Tom Jobim. Na oportunidade, Girl from Ipanema brindou o grande encontro.

Com a saúde debilitada, Sinatra parou de fazer shows aos 80 anos, em 1995. No dia 14 de maio de 1998, Frank Sinatra morreu de um ataque cardíaco em Los Angeles, Califórnia.

Filmografia

* 1990 - Listen Up: The lives of Quincy Jones
* 1988 - Uma cilada para Roger Rabbit (Who framed Roger Rabbit?) (voz)
* 1984 - Um rally muito louco (Cannonball run II)
* 1980 - O primeiro pecado mortal (The First Deadly Sin)
* 1977 - Contratado para matar (Contract on Cherry Street) (TV)
* 1974 - Isto era Hollywood (That's Entertainment!)
* 1970 - O mais bandido dos bandidos (Dirty Dingus Magee)
* 1968 - A mulher de pedra (Lady in Cement)
* 1968 - O crime sem perdão (The Detective)
* 1967 - Tony Rome (Tony Rome)
* 1967 - Serviço secreto em ação (The Naked Runner)
* 1966 - Confidências de Hollywood (The Oscar)
* 1966 - Assalto em um transatlântico (Assault on a Queen)
* 1966 - A sombra de um gigante (Cast a Giant Shadow)
* 1965 - Vamos casar outra vez (Marriage On The Rocks)
* 1965 - O expresso de Von Ryan (Von Ryan's Express)
* 1965 - Os bravos morrem lutando (None But The Brave)
* 1964 - Robin Hood de Chicago (Robin and The 7 Hoods)
* 1963 - Os quatro heróis do Texas (4 for Texas)
* 1963 - O bem-amado (Come Blown Your Horn)
* 1963 - A lista de Adrian Messenger (The List of Adrian Messenger) (participação)
* 1962 - Sob o domínio do mal (The Manchurian Candidate)
* 1962 - Tempestade sobre Washington (Advice and Consent) (voz)
* 1962 - Dois errados no espaço (The Road to Hong Kong)
* 1962 - Os 3 sargentos (3 Sergeants)
* 1961 - A hora do diabo (The Devil at 4 O'Clock)
* 1960 - Pepe (Pepe)
* 1960 - Onze homens e um segredo (Ocean's Eleven (1960))
* 1960 - Can-Can (Can-Can)
* 1959 - Quando explodem as paixões (Never So Few)
* 1959 - Os viúvos também sonham (A Hole in the Head)
* 1958 - Deus sabe quanto amei (Some Came Running)
* 1958 - Só ficou a saudade (Kings Go Forth)
* 1957 - Meus dois carinhos (Pal Joey)
* 1957 - Chorei por você (The Joker is Wild)
* 1957 - Orgulho e paixão (The Pride and the Passion)
* 1956 - A volta ao mundo em 80 dias (Around the world in 80 days)
* 1956 - Redenção de um covarde (Johnny Concho)
* 1956 - Alta sociedade (High Society)
* 1956 - Viva Las Vegas (Meet me in Las Vegas)
* 1955 - O homem do braço de ouro (The Man with the Golden Arm)
* 1955 - Armadilha amorosa (The Tender Trap)
* 1955 - Eles e elas (Guys and Dolls)
* 1955 - Não serás um estranho (Not as a stranger)
* 1954 - Corações enamorados (Young at Heart)
* 1954 - Meu ofício é matar (Suddenly)
* 1953 - A um passo da eternidade (From here to eternity)
* 1952 - Ao compasso da vida (Meet Danny Wilson)
* 1951 - Isto sim que é vida (Double Dynamite)
* 1949 - Um dia em Nova York (On the Town)
* 1949 - A bela ditadora (Take me out to the ball game)
* 1948 - Beijou-me um bandido (The Kissing Bandit)
* 1948 - O milagre dos sinos (The Miracle of the Bells)
* 1947 - Aconteceu assim (It Happened in Brooklyn)
* 1946 - Quando as nuvens passam (Till the Clouds Roll By)
* 1945 - Marujos do amor (Anchors aweigh)
* 1945 - A casa em que vivemos (The House I live in)
* 1944 - Vivendo de brisa (Step lively)
* 1943 - A lua ao seu alcance (Higher and higher)
* 1943 - Alvorada da alegria (Reveille with beverly)
* 1942 - Barulho a bordo (Ship ahoy)
* 1941 - Noites de rumba (Las Vegas Nights)

Premiações

* Oscar humanitário, em 1972.
* Indicação ao Oscar de Melhor Ator, por "O Homem do Braço de Ouro" (1955).
* Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por "A Um Passo da Eternidade" (1953).
* Duas indicações ao Globo de Ouro de Melhor Ator - Comédia/Musical, por "Meus Dois Carinhos" (1957) e "O Bem-Amado" (1963). Vence em 1957.
* Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante, por "A Um Passo da Eternidade" (1953).
* Prêmio Cecil B. DeMille em 1971, concedido pela Associação de Jornalistas Estrangeiros nos Estados Unidos.
* Duas indicações ao BAFTA de Melhor Ator Estrangeiro, por "Não Serás um Estranho " (1955) e "O Homem do Braço de Ouro" (1955).

Grammy

o 1958
+ Best Album Cover - Only The Lonely (Frank Sinatra foi Diretor de Arte. Curiosamente seu primeiro Grammy foi pela pintura da capa)
o 1959
+ Album Of The Year - Come Dance With Me
+ Best Vocal Performance, Male - Come Dance With Me
o 1965
+ Album Of The Year - September Of My Years
+ Best Vocal Performance, Male - It Was A Very Good Years
+ Lifetime Achievement Award
o 1966
+ Album Of The Year - Sinatra: A Man And His Music
+ Record Of The Year - Strangers In The Night
+ Best Vocal Performance, Male - Strangers In The Night
o 1979
+ Trustees Award
o 1982
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - I'll Never Smile Again (Tommy Dorsey With Frank Sinatra & The Pied Pipers)
o 1984
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - In the Wee Small Hours
o 1994
+ Grammy Legend Award
o 1995
+ Best Traditional Pop Vocal Performance, Male - Duets II
o 1998
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - The House I Live In
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - I've Got You Under My Skin
o 1999
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - Frank Sinatra Sings For Only The Lonely
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - September Of My Years
o 2000
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - My Way
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - Songs For Swinging' Lovers!
o 2004
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - Come Fly With Me
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - I've Got The World On A String
o 2005
+ GRAMMY Hall Of Fame Award - One For My Baby

Fonte: Wikipedia - A Enciclopedia Livre; Biografia de Frank Sinatra - Letras.com.br; 70 anos de cinema - Frank Sinatra; Net Saber - Biografias.
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