quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Aventuras de um jabuti

Dom jabuti seguia uma vez, distraído, preocupado com os seus negócios, filosofando nas coisas desta vida, por um caminho no meio do mato, quando esbarrou com uma velha e enorme anta, enforcada num laço, que caçadores haviam amarrado. Mais que depressa principiou a roer a corda que prendia o pescoço do bicho, e depois de esconder a corda num buraco, começou a gritar:

— Acode, gente!... acode depressa!...

Dona onça, que passeava na ocasião, foi ver por que motivo tanto gritava o jabuti.

— Que é isso? interrogou.

— Estou chamando gente para vir comer a anta que acabei de caçar agora mesmo.

— Queres que eu parta a anta? Propôs a comadre onça

— Quero sim. Dividirás a metade para mim e a outra para ti, disse ele.

— Então, vai apanhar lenha, para assarmos a carne da anta.

Quando o jabuti voltou, apenas encontrou o couro da anta, e disse:

— Deixa estar, onça velhaca, hás de me pagar algum dia esse desaforo que me fizeste.

Saído dali, andou por muitos dias seguidos. Ia pelo caminho pensando como se vingar da onça, quando se encontrou com um bando de macacos, em cima de uma bananeira, comendo bananas.

— Olá, compadre macaco, atira uma banana para mim, disse o jabuti.

— Por que não sobes? Não és tão prosa, jabuti?

— Vim de muito longe, estou cansado.

— Pois o que posso fazer é ir buscar-te daí de baixo cá para cima, disse um dos micos.

— Pois então, vem.

O macaco desceu, pôs em cima o jabuti, que ali ficou dois dias, por não poder descer.

No terceiro, apareceu uma onça, a mesma que se tinha encontrado com ele perto da anta.

— Olá, jabuti, como subiste nesta babaneira?

— Muito bem, onça.

A onça, que estava com fome, disse:

— Ó, jabuti, desce cá para baixo.

— Só se me aparares na boca, onça. Não quero me machucar, pulando daqui no chão.

A onça abriu a boca e o jabuti deu um pulo, mesmo na goela do bicho, que morreu imediatamente.

Então o jabuti saiu gritando:

— Matei uma onça, meus parentes, vão ver debaixo das bananeiras!...

Uma outra onça que passava, ouviu-o e perguntou:

— Jabuti, que estás dizendo?

— Não é nada, onça, é cá uma cantiga que sei.

E foi procurando um buraco para se esconder.

Assim que encontrou uma furna, parou e disse:

— Onça, sabes o que estava cantando? É isto: matei uma onça. Vá ver em baixo das bananeiras.

A onça correu para pegá-lo, mas o jabuti meteu-se pelo buraco, onde a onça também introduziu a pata, segurando-o por uma das pernas.

— Onça, pensas que apanhaste a minha perna, mas enganaste, apenas seguraste uma raiz.

A onça largou a perna do jabuti que tinha nas garras, e retirou o braço do buraco.

— Ó sua tola, foi a minha perna que seguraste mesmo. Agora vai ver a tua parenta embaixo das bananeiras.

A onça ainda cavou um bocado, para ver se apanhava o jabuti, mas este já estava longe, porque a furna onde entrara era muito funda.

Desde esse dia, a onça anda à procura do jabuti para se vingar, mas até hoje ainda não o encontrou.
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- Pimentel, Figueiredo. Histórias da avozinha. Rio de Janeiro; Belo Horizonte, Livraria Garnier, 1994, p.179-181 (Biblioteca de autores célebres da literatura infantil, 3).
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Panacéia indígena

Diz que o pajé da tribo foi chamado à tenda do cacique.

Quando o pajé entrou, o cacique estava deitado meio sobre o gemebundo, se me permitem o termo. A perna do cacique estava inchada, mais inchada que coxa de corista veterana. Tinha pisado num espinho envenenado.

O pajé examinou, deu uns dois ou três roncos de pajé e depois aconselhou:

— Chefe tem passar perna folha de galho passarinho azul pousou.

Disse e se mandou, ficando os índios do "staff" do cacique (cacique também tem "staff") encarregados de arranjar a tal folha.

Depois de muito procurarem, viram um sanhaço pousado num galho de mangueira e trouxeram algumas folhas. Mas — eu pergunto — o cacique melhorou? E eu mesmo respondo: aqui! ó...

No dia seguinte estava com a perna mais inchada. Chamaram o pajé de novo. O pajé veio, examinou e lascou: Hum-hum... perna
grande guerreiro melhorou nada com folha galho passarinho azul pousou. Precisa lavar com água de lua. Disse e se mandou.

O "staff" arranjou uma cuia e botou a bichinha bem no meio da maloca, cheia de água, que era pra — de noite — a lua se refletir nela. Foi o que aconteceu. De noite houve lua e, de manhãzinha, foram buscar a cuia e lavaram com a água a
perna do cacique.

O pajé já até tinha pensado que o chefe ficara bom, pois não foi mais chamado.

Passados uns dias, no entanto, voltaram a apelar para seus dotes de curandeiro. Lá foi o pajé para a tenda do cacique,
encontrando-o deitado e com uma perna mais inchada que cabeça de botafoguense.

Aí o pajé achou que já era tempo de acabar com aquilo. Examinou bem, fez um exame minucioso e sentenciou:

— Cacique vai perdoar pajé, mas único jeito é tomar penicilina. 
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Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto).
Fonte: GAROTO LINHA DURA - Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1975
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Capela de São João Batista

A Capela de São João Batista, de uma beleza rara, em Armação de Itapocoroy, é muito procurada pelos turistas que visitam o Município de Penha.

Construída no ano de 1759, mais precisamente em 27 de abril, conserva até hoje a estrutura da época. Do pátio da capela têm-se uma vista de toda a baia de Itapocoroy (nome derivado do guarani "Itapocorá", cujo sentido define como sendo "parecido com um muro de pedra") , um dos mais belos postais.

Tombada como patrimônio histórico pelo governo do Estado de Santa Catarina, é o mais valioso Patrimônio Arquitetônico de Penha.


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