sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O primeiro dentista da história

Dente coberto por cera na parte amarela
Dente de 6,5 mil anos com cera de abelha pode ser 1º vestígio de dentista. Um osso de mandíbula com coroa foi achado na Eslovênia, no Leste Europeu. Esse material pode ter servido para diminuir a dor e sensibilidade de rachadura.

Um dente de 6,5 mil anos de idade encontrado na Eslovênia, no Leste Europeu, pode ser o vestígio mais antigo da existência de um dentista, aponta um novo estudo italiano publicado na revista científica "PLoS One". Isso porque a coroa continha um preenchimento de cera de abelha que pode ter sido aplicado para diminuir a dor e a sensibilidade da pessoa.

Os pesquisadores, liderados por Federico Bernardini e Tuniz Claudio, do Centro Internacional Abdus Salam de Física Teórica, analisaram um osso de mandíbula que incluía um dente humano.

Trabalhando em conjunto com o laboratório de física Sincrotrone Trieste e outras instituições, a equipe concluiu que a cera foi aplicada na época da morte do indivíduo, mas não é possível saber se foi antes ou depois.

Se o material foi colocado antes, provavelmente se destinou a reduzir o desconforto provocado por uma rachadura vertical nas camadas de esmalte (externa) e dentina (mais interna).

Segundo Tuniz, o desgaste severo do dente ocorreu possivelmente por um uso em atividades não alimentares, como a tecelagem, normalmente feita por mulheres do período Neolítico - entre 10 mil a.C. e 3 mil anos a.C.

Evidências odontológicas na pré-históra são escassas, por isso esse novo objeto pode ajudar a fornecer informações sobre os primeiros "consultórios" dentários. A descoberta, de acordo com Bernardini, pode ser a evidência mais antiga de odontologia e terapia paliativa dental em toda a Europa.

Fonte: G1
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Garrincha, o orgasmo da galera

Quando o homem chegava com a bola, os adversários olhavam seus pés e olhos. Não adiantava nada. Ele ia passar por todos, sempre...

A revelação

O juiz apita o início do jogo. Didi imediatamente lança Garrincha. O lateral russo Kuznetsov chega para a marcação. Mané faz que vai, não vai, foi. Kuznetsov cai. Segundos depois, bola de novo com o Brasil. De novo com Garrincha. Agora, além do lateral-direito, os russos marcam Mané com os zagueiros Voinov e Krijevski. Garrincha faz que vai, não vai, foi. E mete uma bomba no poste do goleiro Yashin. Bola para fora, tiro de meta mal batido, bola para Mané, trave de novo.

Enquanto Garrincha desnorteia toda a defesa soviética, Didi lança Vavá que marca o primeiro gol. O cronômetro registra três minutos. "Foram os três minutos mais fantásticos da história do futebol e a mais assombrosa aparição de um ponta-direita", escreveu o cronista francês Gabriel Hannot. Naquela tarde sueca, no Estádio Nya Ullevi, o Brasil venceria o tão decantado "futebol científico" da URSS por dois a zero e passaria às quartas-de-final na Copa de 1958. Mas, mais importante do que o placar, seria a descoberta de Garrincha.

Não foi apenas o mundo que descobriu Mané. O próprio Brasil não sabia direito que tinha na sua Seleção o maior ponta-direita de todos os tempos. Na comissão técnica havia muitas reservas quanto à capacidade de Garrincha. Alguns fatos contribuíam para isso. O primeiro foi a péssima avaliação nos testes psicotécnicos promovidos pelo Dr. João Carvalhaes, o psicólogo da Seleção. Garrincha tinha feito 38 pontos de 123 possíveis, o que o colocava quase como débil mental.


O maior problema, entretanto, residia na sua fama de indisciplinado taticamente e fominha. Fama que pareceu confirmada num jogo preparatório contra a Fiorentina, da Itália, uma semana antes do Mundial. O Brasil ganhou de 4 a 0, num jogo em que Garrincha protagonizou um lance genial. Depois de driblar o lateral e o goleiro, Mané ficou com o gol livre para marcar. Mas esperou a volta do zagueiro Robotti para dar mais um drible. Com a finta, o italiano deu com a cara na trave e Garrincha empurrou para o gol. Em vez de demonstração de virtuosismo, o drible extra foi interpretado como irresponsabilidade pela comissão técnica e Mané começou a Copa no banco. Não tivesse entrado contra a URSS, talvez jamais tivesse se revelado.

As oportunidades, aliás, nunca se apresentaram muito fáceis para aquele menino nascido no pobre vilarejo de Pau Grande, interior do Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 1933. Seu nome de batismo era Manoel dos Santos, embora sempre assinasse um Francisco no meio. Habilidoso nos times amadores em que jogava, Garrincha até tentou treinar no Vasco, Fluminense e São Cristóvão, mas sempre desistia quando via aquele mundaréu de gente nas peneiras. Só mesmo depois de se casar é que se viu obrigado a tentar ganhar algo mais com o futebol. Garrincha já tinha 19 anos.


Os Joões

"As coisas estão tão ruins que agora até aleijado vem treinar no Botafogo", disseram alguns torcedores quando viram aquele rapaz de pernas tortas na peneira. Quando os jogadores souberam que o garoto tinha sido trazido por Arati, sujeito de jogo duro, pensaram: "Mais um que veio para dar botinada". No final, Garrincha se apresentou muito bem no aspirantes e foi treinar entre os profissionais. "Bem, agora ele não vai ter chance. O lateral-esquerdo é o Nilton Santos". Na primeira bola, entretanto, Garrincha meteu no meio das pernas do lateral da Seleção. Nilton na hora foi falar com o técnico Gentil Cardoso para contratar o rapaz. "Imaginou ele no time adversário? Nunca mais eu ia poder dormir direito", lembra o primeiro "João".

A partir de então quem perdeu noites de sono foram os laterais-esquerdos dos outros clubes, aos quais Garrincha insistia em chamar de Joões. Não por desrespeito, mas porque Mané era um simples que não conhecia os nomes dos jogadores e, muitas vezes, das esquadras adversárias. Para ele, a Inglaterra, por exemplo, era "aquele time com a camisa igual à do São Cristóvão".

Suas vítimas históricas foram Altair, do Fluminense, Coronel, do Vasco, e Jordan, do Flamengo. O rubro-negro, aliás, passou à história como o melhor marcador de Garrincha. Também histórica era a lealdade com que tentava parar o botafoguense. "Eu não conseguia dormir antes do jogo, mas ficava com a consciência tranquila depois"’, lembra o lateral. O mesmo não podiam dizer os outros jogadores. Garrincha era caçado em campo. Derrubado, não esboçava contrariedade, apenas se levantava e voltava a jogar. Era um passarinho.

Certa vez, o zagueiro Pinheiro, do Fluminense, se machucou e a bola sobrou livre para Mané. Em vez de partir para o gol, Garrincha jogou a pelota para fora permitindo o atendimento do adversário. Foi a primeira vez que isto aconteceu num campo de futebol. Hoje, todo mundo joga a bola para a lateral quando tem um jogador contundido, sem saber que esta é uma invenção de Garrincha.

Foi também com Mané que surgiu a expressão "fazer a fila". É que o técnico Flávio Costa, do Vasco, colocava a defesa em linha, um dando cobertura para o outro para tentar neutralizar Garrincha. De nada adiantava. Mané passava pelo primeiro, pelo segundo, pelo terceiro, enfim, "fazia a fila".

O "olé" é outra expressão que nasceu com ele. Garrincha excursionava pelo México quando o Botafogo enfrentou o River Plate, da Argentina. Toda vez que Mané driblava o lateral Vairo, que jogava na Seleção Argentina, os mexicanos gritavam "olé" para aquela autêntica tourada. Quando o Botafogo voltou ao Brasil, trouxe junto o "olé". Onde quer que se apresentasse, Mané justificava a fama de Alegria do Povo.



Para entender

A capacidade de Garrincha repetir com sucesso sempre a mesma jogada (balançar o corpo para a esquerda e sair pela direita) intrigava o mundo. Se todos sabiam para onde ele ia sair, por que ninguém conseguia marcá-lo? Uma das explicações mais correntes diz respeito às pernas de Mané.    

A direita era torta para o lado de fora e a esquerda, torta para dentro. Além disso, uma era 6 cm maior que a outra. Por isso, seu corpo ficava inclinado para o lado direito. Isto permitiria que disparasse sempre na frente do adversário.

Já o cronista esportivo Mário Filho preferia explicar Garrincha não pela anatomia, mas pelo fato de o jogador ter sido um caçador inveterado na infância. Acompanhe o raciocínio: "Só se compreende Garrincha identificando-o com o caçador. Ou melhor, com a caça. Foram os passarinhos, as pacas, os gambás que lhe ensinaram o melhor dele em futebol. As pacas, os gambás, ficavam olhando para ele, para sentir-lhe o menor movimento. Quantas vezes o bicho o driblara e o jogara no chão, de pernas para o ar? Garrincha, diante de um marcador, se sentia como uma paca, um gambá. Não olhava para os olhos do marcador: olhava para as pernas dele. E de repente fingia que ia. Jogava o corpo para um lado, anunciando o drible. Não ia, só ia quando o marcador descambava o corpo para o lado que ele queria. Então enveredava pelo outro. Era queda na certa."

Rei da Copa de 1962

Se a estréia de Garrincha nas Copas, em 1958, foi arrasadora, o mundo não imaginava o que ele iria aprontar na seguinte. A Seleção chegou ao Chile, em 1962, um pouco mais velha, mas contando com Garrincha e Pelé no apogeu. Pelé principalmente, que já ostentava o título de Rei do futebol. Só que na segunda partida, o camisa 10 sofre uma distensão na virilha e fica fora do Mundial.

Ninguém da Seleção fala nada, mas todos os olhos se voltam para o camisa 7. Queriam o impossível: que Mané jogasse por ele e por Pelé. O impossível. E Mané fez o impossível. Comandou a Seleção na campanha vitoriosa do bicampeonato: marcou gols de cabeça, perna esquerda, falta, desnorteou os adversários com seu drible manjado. O técnico Aimoré Moreira até que tentou manter Garrincha na ponta-direita, mas Mané jogou por todo o campo, para sorte do Brasil.

Na terceira partida contra a todo-poderosa Espanha, o Brasil parecia perdido quando Garrincha driblou dois adversários e deu o gol da vitória para Amarildo. No jogo seguinte contra a Inglaterra, fez gol até de cabeça. Contra o Chile, o dono da casa, arrebentou, mas acabou expulso depois de revidar uma agressão com um desmoralizante chute nos fundilhos do jogador chileno. Para contar com Mané na partida decisiva, o Brasil mobilizou até o presidente da República. Garrincha entrou, mas, com um febrão, só serviu para preocupar terrivelmente os tchecos enquanto os outros craques brasileiros garantiam a vitória por 3 a 1. Por tudo, foi coroado o Rei da Copa de 1962.

Infelizmente, quando seu futebol se acabou, o mundo se esqueceu de cuidar de Mané. Então, passou a beber e correr em busca do tempo perdido. Morreu em 1983, minado pelo álcool.

Fonte: Revista Placar - 100 Anos de Futebol
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domingo, 9 de dezembro de 2012

Decoração natalina em BC

A decoração natalina na praça perto da Av. da Lagoa - Bal. Camboriú-SC (9/12/2012)






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