sábado, 29 de outubro de 2011

Desculpe, seu Zagalo

Neeskens (13) encobre o goleiro Leão, em Dortmund: eliminação brasileira na Copa de 1974

Em relação ao tricampeonato Mundial em 1970, nossa seleção chegou na Copa seguinte muito modificada. Dos titulares da final contra a Itália, apenas Rivelino começou jogando contra a "Laranja Mecânica", que contava com uma ótima equipe com destaques para Cruyff, Neeskens, Rensenbrink, e Krol.

Acabou prevalecendo a superioridade (ou incompetência de nosso técnico e da comissão técnica?) da seleção de Rinus Michels, que venceu o Brasil por 2 a 0, com gols de Neeskens e Cruijff. Local e data: Westfalenstadiun, Dortmund, Alemanha - 03/07/1974.

C7+   A7        Dm                G7
Desculpe seu Zagalo/     Mexe nesse time 
  C7+     Em             Eb0       Dm
Que tá muito fraco/ Levaram uma flecha, 
esqueceram o arco
               G7             C7+
Botaram muito fogo e sopraram o furacão
          A7 
Que nem saiu do chão
        Dm         G7
Desculpe seu Zagalo/   Puseram uma palhinha 
    C7+       Em          Eb0       Dm
Na sua fogueira/ E se não fosse a força desse tal Pereira
     G7                  C7+
Comiam um frango assado lá na jaula do Leão
   
Mas não tem nada não !
  E7
Cuidado seu Zagalo/O garoto do parque 
              Am            D7
Está muito nervoso/ E nesse meio-campo fica perigoso
                G7
Parece que desliza nesse vai não vai
         A7
Quando não cai

Dm     G7           C 
É camisa dez da seleção, laiá laiá laiá -  BIS
     Dm                               C
Dez é a camisa dele/ Quem é que vai no lugar dele - BIS

       E7      Am
Desculpe seu Zagalo/A crítica que faço é pura brincadeira
                   D7
Espírito de humor , torcida brasileira !
             G7                  A7
A turma está sorrindo para não chorar ... /   Tá devagar

Autor: Luiz Américo

Fonte: MPB Cifrantiga
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Fio Maravilha, a música

O jogador Fio e Jorge Ben Jor
Futebol e música popular, duas paixões brasileiras, sempre conviveram bem, com cantores e compositores pretendendo mostrar habilidades de craques (Chico Buarque, Paulinho da Viola) em suas peladas e craques de verdade (Pelé, Júnior) se arriscando vez por outra em canções ou cantorias.

Houve até um jogador Roberto Cunha ponta-direita do Flamengo e do São Cristóvão, que chegou a titular da seleção brasileira, atuando no Sul-Americano de 37 e na Copa do Mundo de 38 (marcou o gol da vitória do Brasil contra a Tchecoslováquia) e que é autor de um samba de relativo sucesso, “Fui a Paris”, gravado por Moreira da Silva em 1942.

Essa mútua admiração acabaria gerando um bom repertório de canções que enaltecem as glórias da seleção, dos clubes e de um sem número de heróis futebolísticos como Leônidas da Silva, Pelé, Garrincha, Zico e... Fio (João Batista de Sales), inspirador de “Fio Maravilha”, que nem seria tão herói assim, jamais tendo se firmado nos times por onde passou. Mas, o flamenguista “doente” Jorge Ben se encantou com a figura desse atacante rubro-negro, dentuço e desengonçado, capaz de mesclar gols de mestre com jogadas bisonhas de principiante.

Então, Ben o colocou nas alturas, homenageando-o com uma criação, cujo refrão empolgante reafirma o seu decantado suíngue: “Fio Maravilha / nós gostamos de você / (...) / Fio Maravilha / faz mais um pra gente ver.” Este último verso se refere a um gol espetacular (“gol de anjo, um verdadeiro gol de placa”), descrito, lance por lance, na primeira parte da composição: “Aos trinta e três minutos do segundo tempo / depois de fazer uma jogada celestial em gol / tabelou, driblou dois zagueiros / deu um toque, driblou o goleiro / só não entrou com bola e tudo / porque teve humildade em gol.”

Só mesmo Jorge Ben para transformar uma narrativa de locutor esportivo em música e Fio em um novo Garrincha... O fato é que “Fio Maravilha” ganhou em 1972 o VII Festival da Canção da Rede Globo, fase nacional, empatado com “Diálogo”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. Na ocasião a música foi muito bem defendida pela cantora mineira Maria Alcina, até então praticamente desconhecida, que impressionou a platéia com seu jeito extravagante, sua voz andrógina e seu físico, que lembra a antiga vedete Josephine Baker.

Já o VII FIC foi o último do ciclo dos festivais, encerrando assim uma fase auspiciosa da MPB na televisão, com grande proveito para ambas as partes. O mais curioso da história desta canção, porém, ainda estava por acontecer: o homenageado processou o compositor (perdeu a ação em 1973), ocasionando a mudança do título, que passou para “Filho Maravilha”, e a troca do verso “a galera agradecida assim cantava” por “a magnética agradecida assim cantava”.

Jorge Ben, que ainda em 72 lançou o sucesso “Taj Mahal”, depois plagiado por Rod Stewart em “Do Ya’ Think I’m Sexy” tem outras composições futebolísticas — “Zagueiro”, “Camisa 10 da Gávea” (Zico) e “Umbabarauma”, esta sobre o futebol africano (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Fio Maravilha (1972) - Jorge Ben Jor

Tom: F#m
Int.: A7+ E5+/7 A7+
F#m                D     E        F#m D E
E novamente ele chegou com inspiração
F#m                     D
Com muito amor, com emoção
 E       F#m          D E
Com explosão e gol, gol
 F#m                     D     E
Sacudindo a torcida aos 33 minutos
F#m           D E
Do segundo tempo
 F#m                  D     E
Depois de fazer uma jogada celestial
 F#m      D E
Em gol, gol
 F#m                        D  E
Tabelou, driblou dois zagueiros
 F#m                     D E
Deu um toque driblou o goleiro
F#m                        D
Só não entrou com bola e tudo
        E         F#m          D E
Porque teve humildade em gol, gol
F#m
Foi um gol de classe
      D      E         F#m           D  E
Onde ele mostrou sua malícia e sua raça
F#m
Foi um gol de anjo
        D              E
Um verdadeiro gol de placa (2x)
 F#m                D             E
Que a galera agradecida assim cantava
F#m      Bm          C#m
Fio Maravilha, nós gostamos de você
 F#m     Bm            C#m          F#m Bm C#m
Fio Maravilha faz mais um pra gente ver (2x)

Fonte: MPB Cifrantiga
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O homem do telhado

Quando a gente passa em conjunto residencial e olha para o teto dos edifícios, fica pensando que está passando numa estação espacial e que todas aquelas antenas são instrumentos de comunicação com Marte, Vênus, Júpiter e outros planetas.

Conjunto residencial é aquele local em que construíram 1.200 apartamentos, num só edifício, ao lado de outro edifício com 1.400 apartamentos e na frente de outro edifício com mais ou menos uns 1.800 apartamentos, que eles chamam de bloco. Todos com televisão e todos com antena no telhado.

Vai daí que, olhando para baixo, parece a entrada do prédio das Nações Unidas. Todas as janelas têm bandeiras. Bandeiras em forma de meia, de calcinha, de ceroulas e anáguas. E no telhado, parece aquela estação espacial que a gente falou. Só que em vez de foguete, tem sempre um gato deitado ou uma pipa.

E quando o dono do apartamento 1.191 chamou o antenista para colocar sua antena no telhado, o homem se viu mal. Subiu lá e quando olhou o negócio pensou até em instalar a antena no teto do vizinho. Vai daí ele conseguiu colocar a antena bem na beirinha, em boa posição e miseravelmente dava pra assistir a meia hora de Chacrinha sem que a televisão virasse de cabeça para baixo.

Mas, infelizmente, não demora muito e quando menos a gente espera, a voltagem cai, a corrente modifica e a dona boa que a gente tá vendo no vídeo vira aprendiz de monstro.

E foi por isso que o nossa amizade, morador no apartamento 1.191, mandou chamar o antenista. Era um rapazinho com pinta de criado na república da Praia do Pinto, magrinho e com mais ginga que pato sozinho em galinheiro de franga. Ele foi chegando e explicando o babado todo:

— O morador deve entender as mumunhas. Quando passa um ônibus elétrico, a corrente cai e adefeculta a mensagem no vídeo. Às vêis é preciso um reajuste, pra que a seletora da canalização das image fica clara outra vez.

O dono da televisão não entendeu nada, aliás, nem eu, mas ele queria era a imagem boa e o problema deveria ser antena. O rapazinho subiu para o telhado e meia hora depois voltou:

— O senhor vai desculpar, mas eu não posso fazer o serviço, não senhor.

— Ué, mas por quê?

— Bem, é por causa de que a antena está muito na beirinha.

— E daí, ó meu??

— Daí, meu distinto, eu tô fora. Se eu chegar muito na beira eu entro no ar e quem tem que entrar no ar é a estação, não sou eu.
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Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto).
Fonte: O MELHOR DE STANISLAW - Crônicas Escolhidas - Seleção e organização de Valdemar Cavalcanti - Ilustrações de JAGUAR - 2.a edição - Rio - 1979 - Livraria José Olympio Editora.
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