domingo, 9 de outubro de 2011

Barbara Bach

Barbara Bach (Barbara Goldbach), atriz e modelo, nasceu em Queens, Nova Iorque, em 27 de agosto de 1947. É mulher do ex-baterista dos Beatles, Ringo Starr.

Barbara foi um modelo internacional de sucesso nos Estados Unidos e na Europa, com capas para revistas como Elle, Vogue e Playboy.

Baseada na Europa no começo dos anos 70, com seu primeiro marido, o empresário italiano Augusto Gregorini, se lançou no cinema em 1971 com um pequeno papel no filme trash de horror-erótico italiano "La Tarantola dal ventre nero", estrelado por duas outras bond girls, Claudine Auger e Barbara Bouchet, seguindo-se a ele a participação em outros filmes menores na Itália.

Em 1975, ela se separou do marido e voltou aos Estados Unidos com os dois filhos pequenos, trabalhando novamente como modelo.

Dois anos depois conseguiu fama como a bond-girl de "007 O Espião Que Me Amava", terceiro filme da série de James Bond dos estrelados por Roger Moore e que a transformaria numa sex symbol internacional.

Cena do filme 'O homem das cavernas" (Caveman, 1980)

Em 1980 conheceu o ex-Beatle Ringo Starr durante as filmagens de "Caveman" e casou-se em abril de 1981, aparecendo nos anos seguintes em diversos videoclipes e gravações de Ringo.

Formada em psicologia pela UCLA em 1993, Barbara abandonou o cinema na metade da década de 1980, e hoje dirige uma fundação junto com o marido, a Lotus Foundation, dedicada à caridade.

Fonte: Baseado na Wikipedia.
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A divertida Lucille Ball

Lucille Ball (Lucille Désirée Ball), primeira mulher comediante da TV e figura fundamental no desenvolvimento dessa mídia, nasceu em 6 de agosto de 1911 em Jamestown, Nova York. Começou a estudar teatro aos 15 anos. Adolescente, trabalhou como modelo enquanto tentava conseguir uma vaga na Broadway.

Em 1930, participou do filme "Roman Scandals" e sua popularidade como comediante começou quando atuou com os Irmãos Marx em "Room service", em 1938 e em "The marines fly high" com Fred Astaire em 1940. Conheceu Desi Arnaz, em um set de filmagem, neste mesmo ano.

Luci e o marido Desi Arnaz
Em 1951, Lucille e seu marido cubano, Desi Arnaz (02/03/1917 - 02/12/1986), financiaram um programa-piloto para uma série cômica na televisão. A CBS gostou da idéia e concedeu à Desilu, a produtora do casal, os eventuais lucros de repetição do seriado.

Assim nas décadas seguintes o "I love Lucy" rendeu uma fortuna a seus criadores. Exportado para cerca de 80 países, até hoje esses episódios divertidíssimos são apresentados na TV.

Sempre pioneira, foi a primeira atriz a continuar a filmar os episódios de uma série de TV mesmo estando grávida. Ela convenceu os produtores a fazer com que sua personagem também engravidasse, e em 19 de janeiro de 1953 cerca de 44 milhões de espectadores acompanharam o parto de sua personagem, algumas horas depois que a atriz deu à luz ao seu filho, Desi Arnaz Junior.

Ela e Desi Arnaz se divorciaram em 1960, mas a atriz se casou dois anos depois com o também ator Gary Morton que se tornou produtor da série.

De 1962 até 1974 ela trabalhou na TV em duas séries: The Lucy Show e Here´s Lucy, ambas exibidas na CBS às segundas-feiras por 23 anos consecutivos.

Em 1985 chegou a trabalhar em séries de drama, mas no ano seguinte estava de volta à comédia na série Life with Lucy. Sua última aparição na TV foi com Bob Hope, sua contraparte masculina no show business. Juntos, eles apresentaram o Academy Awards de 1989 para jovens talentos. Ball morreu semanas depois, em 26 de abril de 1989.


Fontes: tvsinopse; Wikipedia;
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Festa das cabeças cortadas

Graças ao Dumas pai, eu e o José Lino Grünewald somos íntimos da Revolução Francesa. Falo da primeira, da autêntica e não da atual.

A atual tem um defeito indesculpável: — falta-lhe sangue e, repito, o sangue não jorra como a água dos tritões de chafariz. E, como não há marias antonietas, nem cabeças cortadas, o mundo já boceja. Sim, é o tédio antes do Terror (e talvez não haja nem o Terror).

Eu e o José Lino Grünewald, com base em nossa experiência de Dumas pai, diríamos que a atual revolução francesa não tem nada de Revolução Francesa. Ainda ontem, Raul Brandão, o pintor, bateu o telefone para mim: — "Como a greve é chata!". Dava uma opinião pictórica. E, realmente, só tem valor plástico a greve metralhada, com operários emborcados na sarjeta.

Mas nada mais insípido do que a greve consentida, abençoada, unânime. Imaginem, imaginem: — a própria polícia é grevista também.

Eu e o José Lino poderíamos sugerir ao público: — "Não leiam os jornais. Leiam o velho Dumas". Falta ao noticiário atual o frêmito, a tensão, a crueldade das Memórias de um médico. Portanto, entendo o comentário restritivo do Raul Brandão: — "Como é chata a greve!".

Todavia, alguma coisa salva a "revolução cultural" da monotonia irremediável. É um certo suspense, é um certo mistério. A França parou. Primeiro, os estudantes e, depois, o resto. Nunca houve tamanha greve. Até os papa-defuntos, até os coveiros, cruzaram os braços. Ninguém morre, por falta de quem o enterre.

Mas eis a pergunta que o mundo faz, sem lhe achar a resposta: — "Por quê?".

Os artigos sobre as greves não explicam nada e por uma razão óbvia: — o inexplicável é inexplicável. A princípio, imaginei que os grevistas quisessem o poder. São milhões e milhões. Portanto, os grevistas têm o que eu chamaria de onipotência numérica. Não há o que objetar, o que discutir, o que resistir. São milhões e eu imaginei que a história lhes daria o poder imediato.

Engano. Os dez ou 12 milhões de franceses não querem o poder. Vocês entendem? O poder está, diante deles, como um fruto próximo, fácil, indefeso; basta o gesto de colhê-lo. Mas ninguém se dispõe a tal gesto. E nem há, ao menos, o vago, surdo, informulado desejo do poder. A presente "revolução cultural" corre o risco de ser um movimento idiota.

Dirá alguém que as greves assumem uma dimensão de catástrofe. Mas insisto: — pode haver a catástrofe idiota.

Sem querer, deixei escapar a palavra exata: — idiota.

Há quinze ou vinte dias atrás, escrevi sobre o grande tema de nossa época. Não sei se vocês se lembram. Falei da ascensão
do idiota. No passado, eram os "melhores" que faziam os usos, os costumes, os valores, as idéias, os sentimentos etc. etc. Perguntará alguém: — "E que fazia o idiota?". Resposta: — fazia filhos.

Mas vejam: — o idiota como tal se comportava. Na rua, passava rente às paredes, gaguejante de humildade. Sabia-se idiota e estava ciente da própria inépcia. Só os "melhores" sentiam, pensavam, e só eles tinham as grandes esposas, as grandes amantes, as grandes residências. E, quando um deles morria, logo os idiotas tratavam de erguer um monumento ao gênio.

E, de repente, tudo mudou.

Após milênios de passividade abjeta, o idiota descobriu a própria superioridade numérica. Começaram a aparecer as multidões jamais concebidas. Eram eles, os idiotas. Os "melhores" se juntavam em pequenas minorias acuadas, batidas, apavoradas. O imbecil, que falava baixinho, ergueu a voz; ele, que apenas fazia filhos, começou a pensar. Pela primeira vez, o idiota é artista plástico, é sociólogo, é cientista, é romancista, é prêmio Nobel, é dramaturgo, é professor, é sacerdote. Aprende, sabe, ensina.

No presente mundo ninguém faz nada, ninguém é nada, sem o apoio dos cretinos de ambos os sexos. Sem esse apoio, o sujeito não existe, simplesmente não existe. E, para sobreviver, o intelectual, o santo ou herói precisa imitar o idiota. O próprio líder deixou de ser uma seleção. Hoje, os cretinos preferem a liderança de outro cretino.

Escrevi tudo isso há uns quinze dias. Ou por outra: — há um mês, mês e meio. E, súbito, as greves da França parecem dar razão aos meus escritos. Eu queria, aqui, insinuar a hipótese de que a "revolução cultural" seja obra de idiotas. São milhões de sujeitos implicados no movimento.

Mas não há um único e escasso líder; não se ouve um nome.

Aí está um dado patético. Não há nada mais impessoal do que o idiota e nada mais idiota do que a unanimidade. E os milhões exprimem a "onipotência numérica" de que falei mais acima.

De Gaulle tem, nisso tudo, a solidão do herói. Sua liderança foi um equívoco que teria de ser desfeito. É o herói puro e, ainda mais, com esporas e penacho. Diria também que não há francês mais radical. Foi francês no momento em que ninguém era francês. Mas tem o defeito realmente indesculpável de não ser idiota. Terá que cair, mais cedo ou mais tarde.

Mas devo fazer uma ressalva. E, de fato, o idiota francês não será nunca trivial. Tem, a seu favor, a língua.

A lavadeira parisiense é uma estilista; fala como uma heroína de Racine. E o chofer de táxi descompõe os turistas com o rigor, a melodia, a plasticidade da prosa francesa. Em tal idioma, a pior vulgaridade está a um milímetro do sublime.

Nos telegramas, não se cita um grande nome da França. Minto. Vi uma fotografia de Sartre ao lado de grevistas.

Estava, ali, fingindo-se de idiota para sobreviver.

[24/5/1968] 
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A Cabra Vadia: novas confissões / Nelson Rodrigues; seleção de Ruy Castro. — São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
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