sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pérolas

A pérola é o resultado de uma reação natural da ostra contra invasores externos, como certos parasitas que procuram reproduzir-se em seu interior.

Para isso, esses organismos perfuram a concha e se alojam no manto, uma fina camada de tecido que protege as vísceras da ostra.

Ao defender-se do intruso, ela o ataca com uma substância segregada pelo manto, chamada nácar ou madrepérola, composta de 90% de um material calcário - a aragonita (CaCO3) -, 6% de material orgânico (conqueolina, o principal componente da parte externa da concha) e 4% de água. Depositada sobre o invasor em camadas concêntricas, essa substância cristaliza-se rapidamente, isolando o perigo e formando uma pequena bolota rígida.

As pérolas perfeitamente esféricas só se formam quando o parasita é totalmente recoberto pelo manto, o que faz com que a secreção de nácar seja distribuída de maneira uniforme. "Mas o mais comum é a pérola ficar grudada na concha, como uma espécie de verruga.

Por isso, as esféricas são tão valiosas", diz o biólogo Luís Ricardo Simone, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). O tempo médio de maturação de uma pérola é de três anos. Como a ostra já se defende muito bem de invasores com sua concha, o fenômeno é raro, acontecendo, na natureza, em apenas um em cada 10.000 animais.

No início do século XX, os japoneses inventaram uma forma simples de acelerar o processo, introduzindo na ostra uma pequena bola de madrepérola, retirada de uma concha, com cerca de três quartos do tamanho final desejado. O resultado é tão bom que, mesmo para um especialista, é difícil distinguir a pérola natural da cultivada. Substâncias presentes na água também podem ser incorporadas à pérola, por isso sua cor varia de acordo com o ambiente, gerando as mais diversas tonalidades. A pérola é a única gema de origem animal.

Até o século XVII, não existia tecnologia para polir pedras preciosas como rubis e esmeraldas, por isso as pérolas eram um dos maiores símbolos de riqueza e poder, usadas como adorno nas mais valiosas jóias da época.

A cor da pérola varia conforme as condições ambientais e a saúde da ostra: as mais comuns são rosa, creme, branca, cinza e preta. As formas da pérola dependem do formato do invasor e do local onde ele se instala. As esféricas são as mais raras e, conseqüentemente, mais valiosas.

Fonte: Mundo Estranho.
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

História do vidro

O vidro é uma das descobertas mais surpreendentes do homem, e sua história é cheia de mistérios. Embora os historiadores não disponham de dados precisos sobre a sua origem, foram descobertos objetos nas necrópoles egípcias; por isso, imagina-se que o vidro já era conhecido há pelo menos 4.000 anos antes da Era Cristã.
  
Diz a lenda que os fenícios seriam os "donos" da invenção. Segundo um historiador romano, esse povo foi o primeiro a observar e a reproduzir o que, mais tarde, transformar-se-ia em vidro. Isso teria ocorrido há mais de dois mil anos antes de Cristo. O fenômeno se deu com o aquecimento e fusão da sílica pela ação de um raio, formando uma placa fina e translúcida de vidro. Porém, os faraós egípcios já levavam o vidro às suas tumbas em formas de utensílios, adornos e objetos cerimoniais há mais tempo que os fenícios.

O certo, é que ainda no início da Era Cristã, os sírios inventaram a técnica do vidro soprado, revolucionando a atividade vidreira, especialmente o vidro oco, como garrafas e frascos. Coube, porém aos romanos, difundir essa técnica por todo o mediterrâneo, Europa ocidental e Ocidente Próximo. Durante o Império Romano, houve grande desenvolvimento dessa atividade, com o apogeu no Século XIII, em Veneza.

Após incêndios provocados pelos fornos de vidro da época, a indústria de vidros foi transferida para Murano, ilha próxima de Veneza. As vidrarias Murano produziram vidros em diversas cores, um marco na história do vidro, e a fama de seus cristais e espelhos perduram até hoje.

No ano 1200, outro importante acontecimento na tecnologia do vidro, a invenção do processo de fabricação do vidro plano por sopro de cilindros. Na Idade Média, sob influências helenísticas e árabes o vidro alcançou a qualidade e criatividade em cores.

Surgiu o cristal escoado que, durante três séculos, foi sucessivamente aperfeiçoado. A França já fabricava o vidro desde a época dos romanos. Porém, só no final do Século XVIII, foi que a indústria prosperou e alcançou um grau de perfeição notável. Iniciava o sistema de produção de grandes placas de vidro escoado sobre mesas e polido na superfície.

Em meados deste século o rei francês Luiz XIV reuniu alguns mestres vidreiros e montou a Companhia de Saint-Gobain , uma das mais antigas empresas do mundo, hoje uma companhia privada. A grande indústria moderna do vidro surgiu com a revolução industrial e a mecanização dos processos. Nos anos 50, na Inglaterra, a Pilkington inventou o processo de produção do vidro float, conhecido também como cristal, que revolucionou a tecnologia dessa próspera indústria.

O vidro no Brasil

No Brasil colonial, durante muito tempo o vidro mais refletiu, do que interveio na paisagem brasileira. Na vida modesta da sociedade da colônia de construções rústicas, o vidro limitou-se apenas a alguns utensílios domésticos, como frascos e copos que, de tão raros, entravam nos inventários familiares.

Numa época em que as casas rústicas limitavam suas fachadas apenas a uma porta e uma janela de madeira, era comum encontrar as conhecidas rótulas e muxaribês de origem mourisca, um privilégio das famílias abastadas, de senhores de terras, comerciantes ricos, e autoridades civis ou religiosas.

As janelas com vidraças, só aparecem nos séculos XVII e XVIII, quase que exclusivamente em construções “nobres”, igrejas e palácios, nas mais prósperas cidades e mais importantes ligadas à estrutura, política e econômica da colônia.

Em 1811, por ordem do Regente D. João, todos os moradores foram obrigados a retirarem de suas casas e sobrados as rótulas das paredes e sacadas e as substituírem por janelas envidraçadas. A Corte Portuguesa chegara, era preciso alegrar a cidade.

As “folhas de vidro de abrir”, como eram assim conhecidas, foram introduzidas lentamente, na paisagem brasileira, uma vez que o vidro era raro, escasso e caro; e trazê-lo de Portugal ao interior da colônia sem quebrar, era uma missão bastante arriscada. Na virada para o século XX, a República apressou o passo em busca da modernidade, o país passa por grandes mudanças arquitetônicas e o vidro toma espaços, melhorando as estruturas de saúde, educação, trabalho e lazer.

O vidro e suas técnicas

Fazer vidro oco (soprado) já não era lá muito fácil, imagine como devia ser a produção do vidro plano. No final do século 17, um método revolucionou a fabricação.

A massa do vidro era derretida manualmente com rolos, como se fosse macarrão. Essa técnica era do vidro estirado.

Para melhorar a vida dos vidreiros, no início do século 20, o belga, Émile Fourcault, inventou o que foi uma mão na roda - o processo mecânico de estirar a massa do vidro. Isso era feito por meio de pinças que suspendiam a massa por uma estrutura vertical de quase 20 metros para ser cortada. Contudo, as dificuldades técnicas e os defeitos no vidro continuaram a existir.

Os avanços, devagar, iam chegando. Para facilitar a saída da massa vítrea durante a elevação da chapa contínua, os americanos introduziram uns ajustes na passagem do forno para a estrutura vertical, no método conhecido como Pittsburgh. A qualidade óptica do vidro melhorou muito a partir daí.

Mas o grande destaque na produção do vidro estirado foi o emprego do método Libbey-Owens, adotado pelos grandes fabricantes mundiais nas décadas de 1930 e 1940.

O processo aposentava o sistema vertical - a chapa passou a deslizar por uma estrutura horizontal, facilitando o manejo e a precisão do corte.

Fonte: www.entretons.com,br
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Prova falsa

Quem teve a idéia foi o padrinho da caçula — ele me conta.

Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

— Mas o cachorro era um chato — desabafou.

Desses cachorrinhos de caça, cheio de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.

— Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas, quando eu entrava em casa, vinha logo com aquele latido fininho e antipático de cachorro de francesa.

Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro, ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto, abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

— Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o "pobrezinho".

Num rápido balanço poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casemira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.

— Você é um desalmado — disse ela, uma vez.

Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos da caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.

— Aí mandaram o cachorro embora? — perguntei.

— Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.

— Ué... mas você não o detestava? Como é que ainda arranjou essa sopa pra ele?

— Problema de consciência — explicou: — O pipi não era dele.

E Suspirou cheio de remorso.
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Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto).
Fonte: O MELHOR DE STANISLAW - Crônicas Escolhidas - Seleção e organização de Valdemar Cavalcanti - Ilustrações de JAGUAR - 2.a edição - Rio - 1979 - Livraria José Olympio Editora
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