quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os assassinados

Disse não sei quem que os homens se dividem em dois grupos: — "assassinos" e "assassinados". Ou o sujeito mata ou, se não mata, morre. Portanto, segundo esse autor, cujo nome não me ocorre, não há hipótese de morte natural.

Mesmo os "assassinos" são, por sua vez, "assassinados". Por isso, o francês Paul Valéry chegou a imaginar, para si mesmo, o seguinte epitáfio: "Aqui jaz Paul Valéry — assassinado pelos outros".

Houve, porém, um momento, na minha vida, em que "todos" eram assassinos. Foi quando morreu meu irmão Roberto. Roberto Rodrigues. Não sei se me entendem. O que eu quero dizer é que "todos" eram assassinos, e Roberto, a única vítima. Foi ferido no dia 26 de dezembro de 1929.

Ele conversava comigo. Uma voz pediu: — "Pode-me dar um minuto de atenção?". Era na redação da Crítica. Os passos caminharam até à sala seguinte. Porta de vaivém. Roberto faz a volta da mesa e caminha para lá. Por minha vez, encaminho-me para a escada. Ia tomar um refresco no botequim da esquina. Paro com o estampido.

Houve uma pausa entre o tiro e o grito (e foi um grito de quem vai morrer). Um dos presentes era o detetive Garcia. om seu reflexo profissional, tirou o revólver; e foi de arma em punho que invadiu a sala da frente. Roberto está de joelhos, com as duas mãos agarrando a mão que o ferira.

Da serraria do lado, os operários subiam a velha escada gasta de muitas gerações. Roberto tinha 23 anos, era o homem mais bonito que vi até hoje. Uma bala interrompeu, para sempre, a obra que amadurecia na sua alma atormentada. Levado para o pronto-socorro, lá morreu dois dias depois.

Eu continuava a ouvir a voz: — "Vim matar Mário Rodrigues ou um dos seus filhos". Paro de escrever. A voz está dizendo, como há 39 anos atrás: — "Mário Rodrigues ou um dos seus filhos".

A redação armada em câmara-ardente. Eu, com dezessete anos, era abraçado. Um velho agarrou-se a mim: — "O nosso Roberto". E eu tinha pena, vergonha, remorso de estar vivo.

Muitos anos depois, na minha peça Anjo negro, há esta imagem: "No enterro sobra sempre uma flor. Uma flor fica boiando no soalho". E, de fato, naquele dia, eu vi uma flor boiando no soalho. Não sei se alguém a pisou. Passei toda uma madrugada velando o sono dos círios.

O último a se despedir de Roberto foi meu pai. "Eu te vingo!", soluçou. No fim, chegou Melo Viana, o vice-presidente da República. Abraçou-se a meu pai, que repetiu: — "Essa bala era para mim". E, depois, o enterro saindo. Era uma manhã de tanto céu que a própria sombra era azulada, lunar.

Dois meses depois, morria meu pai. Sua agonia durou quinze dias. Morávamos numa colina. E, na última noite, da esquina já se ouvia a sua dispnéia. Morreu tão órfão do próprio filho.

Eis o que aprendi com Roberto e meu pai: — o importante é não matar. Nada mais doce do que nascer, viver, envelhecer e morrer. E não ser jamais assassino.

Nunca me esqueço do que aconteceu com um dos meus amigos. Gostou de uma menina e, no final da tarde, os dois passeavam, na praça Saenz Peña, de mãos dadas. Um dia, a menina crispa a mão no braço do bem-amado; diz: — "Olha Fulano". Fulano era o ex-namorado da garota, um brutamontes, que aprendia judô, caratê etc. etc. E, segundo se dizia, estava esperando, para qualquer momento, o seu primeiro ataque epilético. O ex-namorado barrou-lhe a passagem; abotoa o meu amigo: — "Quando se encontrar comigo... Cala a boca. Quando se encontrar comigo, atravesse a rua. Ou lhe parto a cara". O ofendido, branco, não disse uma palavra. E o outro: — "Agora, suma. Ande. Suma". O rapaz baixou a cabeça e correu.

De noite, a moça liga para ele, aos soluços. Quase não podia falar. O humilhado, o ofendido, só dizia: — "Calma, meu bem, calma". Por fim, mais controlada, disse tudo: — "Você vai-me fazer um favor. Vai dar um tiro nesse miserável". Num espanto aterrado, ele balbuciou: — "Tiro, eu? Meu bem. Eu não sou de dar tiros". E a outra: — "Quer dizer que você é covarde?". Respondeu: — "Não sei se sou covarde. Assassino, não sou". Ela esganiçou-se no telefone: — "Escuta! Escuta! Na próxima vez, ele vai-te dar na cara. E você vai apanhar calado?". Disse, manso como um santo: — "É mais forte do que eu. Não posso brigar fisicamente. Apanho, mas não mato. Nada me fará matar!".

Romperam no telefone. E a menina acabou voltando para o ex-namorado.

Eu compreendo tanto os que não matam. Gostaria de explicar. Quando matam alguém, é como se Roberto estivesse morrendo outra vez. Foi assim com o primeiro dos Kennedy. Uma bala arrancou seu queixo plástico, crispado, vital. Então senti como se fosse Roberto, novamente Roberto. E, por um momento, tive a ilusão de que, dois meses depois, meu pai morreria também, como em 1930. E assim, quando balearam o outro Kennedy, Bobby. E onde quer que alguém seja assassinado por alguém — cria-se entre mim e o que morreu uma relação obsessiva, implacável.

Há dias, trucidaram, em Pernambuco, o jovem padre Antônio Henrique Pereira Neto. Até o momento em que bato estas notas, não se sabe quem matou e por que matou. Segundo o comunicado da arquidiocese de Olinda e Recife, o padre Antônio Henrique, além de sofrer uma série de sevícias hediondas, foi amarrado e enforcado. Em seguida, vararam de balas o cadáver.

Começam então as hipóteses desesperadas. Autoridades policiais do Recife acham que se trata de um crime passional. Ao passo que autoridades eclesiásticas afirmam que foi "crime político". Mas "passional" ou "político", o que importa é a hediondez do fato.

Dizia aquele personagem dostoievskiano: — "Se Deus não existe, tudo é permitido".

Para muitos brasileiros, Deus está morto. E para esses, para os "assassinos de Deus", tudo é permitido. Que limites, dúvidas, arrependimentos poderão travar os "cristãos-marxistas", os "cristãos-sem vida eterna", os "cristãos-sem sobrenatural", os "cristãos-sem Cristo"? Falei da "esquerda católica". Um dia, ela terá de ser julgada.

Na confissão de ontem, falei de um dos pronunciamentos mais claros de d. Hélder. Sem nenhum disfarce, declara: — "Respeito aqueles que, em consciência, sentem-se obrigados a optar pela violência; não a violência fácil dos guerrilheiros de salão, mas a daqueles que provaram sua sinceridade com o sacrifício de suas vidas". Não. Aí não está dito tudo. Provaram a sinceridade morrendo, por azar, e matando, por querer.

Antes de morrer, Guevara matou. E, repito, morreu sem querer e matou querendo. Também Camilo Torres. Esse cristão-homicida empunhou o fuzil, não para morrer, mas para matar.

E diz mais o arcebispo de Olinda e Recife: — "Parece-me que as memórias de Camilo Torres e de Che Guevara merecem tanto respeito quanto as do pastor Martin Luther King". Não, mil vezes não! Luther King não morreu de fuzil, faca ou revólver na mão, como Guevara ou Camilo Torres. Não matou, nem quis matar. Não pregou o ódio, a "violência justificada" católica. Morreu de amor e por amor.

Os que pregam o ódio não podem chorar o jovem sacerdote do Recife.

Todos nós temos um projeto de Brasil. O da esquerda católica é o Brasil do ódio. O Brasil do sangue, o anti-Brasil, um Brasil sem Deus. Este país não teve jamais um drácula.

E, súbito, os possessos querem que nos transformemos em 80 milhões de dráculas bebendo o sangue uns dos outros.

[17/6/1968] 
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A Cabra Vadia: novas confissões / Nelson Rodrigues; seleção de Ruy Castro. — São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
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A messalina gaga

Tenho um amigo curiosíssimo. Dá-se comigo há mais de trinta anos. Mas não há, digamos assim, continuidade em nossos encontros. De vez em quando, desaparece; e, de vez em quando, volta (é cíclico como a minha úlcera).

Quando some, sua ausência tem a densidade da morte. E, quando reaparece, está sempre comigo, grudado a mim como um gêmeo. Mas eu disse "amigo curiosíssimo". Pelo seguinte: — nunca sei se ele se chama Meireles ou Marcondes. Pode ser Marcondes e pode ser Meireles.

Tal singularidade empresta à nossa relação um tom meio alucinatório. Eis o que eu queria dizer: — não o via há mais de seis meses. E, ontem, de repente, dou com o Meireles na esquina, em cima do meio-fio, esperando que o sinal abrisse para os pedestres.

Quando nos vimos, foi uma festa recíproca eescandalosa. O Meireles caiu nos meus braços e eu nos dele. Dizia ele, de olho rútilo: — "Há quanto tempo!". Em seguida, gabou-me a aparência. Disse e repetiu: — "Você está ótimo, ótimo". E eu: — "Você também".

Afirmei que a sua aparência era um poema. Depois dos mútuos rapapés, o Marcondes (ou será Meireles?) limpa um pigarro e começa: — "Preciso de um favor teu". Digo-lhe: — "Dois". Põe a mão no meu ombro: — "É o seguinte: — faz outra entrevista imaginária com o d. Hélder, faz".

Era esse o favor. No meu espanto, exclamo: — "Outra vez?".

Tentei explicar-lhe que um colunista diário vive da variedade de assuntos e de figuras. O leitor não gosta de fixações. E repeti: — "O segredo é a variedade". O Marcondes não se conforma. Retruca com um argumento engenhoso: — "D. Hélder é a própria variedade, é a antimonotonia".

Terminou com um novo apelo: — "Te peço, encarecidamente, uma nova entrevista imaginária com o d. Hélder".

Digo, por fim: — "Está bem. Farei". O Marcondes se despediu num arroubo: — "És uma mãe!".

Isso foi ontem. Hoje, estou na máquina, escrevendo mais uma imaginária. Como se sabe, nada mais falso do que a entrevista verdadeira. O entrevistado só diz o que sente, o que pensa, o que sabe, nas entrevistas inventadas. Inventadas da primeira à última linha e, por isso mesmo, de uma imaculada veracidade. Tais entrevistas imaginárias só ocorrem à meia-noite em ponto.

Eis a paisagem obrigatória: — um terreno baldio que tenha, no alto, uma lua de sangue e, por fundo, a gargalhada dos sátiros e duendes. Além de mim e d. Hélder, a única presença consentida é a de uma cabra vadia. O arcebispo foi pontualíssimo. Chega exatamente quando o sino da matriz dava as doze badaladas. Alhures, uma coruja pia. D. Hélder pergunta: — "E o pessoal? Não vem ninguém?".

Explico-lhe que o charme das entrevistas imaginárias é o pudor, o sigilo, o mistério. É preciso que ninguém as veja e ninguém as ouça, a não ser a cabra. D. Hélder vira-se: — "Em que jornal trabalha a cabra?". Respondo-lhe que a cabra tem vários defeitos, menos o de ser jornalista.

Esclareço ainda: — "A única função da cabra é paisagística". A frustração do sacerdote foi total. Fechou a questão: — "Só falo para jornal, rádio, televisão". Pergunto: — "É sua última palavra?". Era.

E, já que não havia outro remédio, tratei de convocar uma imprensa também imaginária para o local.

Instantaneamente, apareceram lá o caminhão da Globo e os locutores-volantes, o Washington Rodrigues, o Pallut, o Paradelas, fotógrafos, correspondentes estrangeiros, a BBC de Londres etc. etc. Essa platéia espectral foi um afrodisíaco para o bom padre. O Justino Martins surgiu e prometeu uma capa de Manchete. O Cláudio Mello e Souza daria uma capa de Fatos & Fotos. Mas d. Hélder parecia ainda insatisfeito: — "E a Life não mandou ninguém?".

Tive que providenciar um enviado imaginário da Life.

Todos presentes, comecei: — "D. Hélder, a diretora de um colégio religioso de São Paulo disse o seguinte: — que ser prostituta é uma profissão como outra qualquer. O senhor concorda?". D. Hélder não respondeu logo. Semicerrou os olhos, juntou as mãos, como se rezasse. Os faunos e as ninfas, que costumam infestar os terrenos baldios, vieram espiar. Suspense aterrador.

E, súbito, o arcebispo pula: — "Não! Não!".

Flashes assustam os grilos e os sapos do terreno baldio. Todos sentiram que d. Hélder ia fulminar a iniqüidade. De braços abertos, vai falando: — "Nunca, jamais! Ser prostituta não é uma profissão como outra qualquer. Absolutamente. É uma profissão que exige prendas raras. Raras".

Instalou-se, ali, no mato, o caos profundo. A imprensa imaginária já não sabia se d. Hélder estava contra ou a favor. Os taquígrafos não perdem um suspiro do orador. Mais didático, d. Hélder está falando: — "Qualquer uma pode ser datilógrafa, não é exato? Mas uma messalina tem que possuir dons outros, atrativos especiais. Uma gaga não pode ser messalina. Uma bruxa de disco infantil não pode fazer a prostituição. Tanto a gaga como o bucho morreriam de fome. Portanto, é injusto falar em 'uma profissão como outra qualquer'. Ou estou enganado?".

O orador é aplaudido como um tenor no dó de peito.

O representante imaginário da Life faz a sua pergunta: — "É verdade que o senhor brigou com os 2 mil anos da Igreja?". D. Hélder não ouviu direito. O outro repete: — "É verdade que o senhor brigou com o passado da Igreja?".

A resposta foi de uma rara felicidade: — "Meu amigo, quem tem passado é a adúltera recuperada".

Neste momento, uma admiradora de J. G. de Araújo Jorge aparece com um livro: — "O senhor quer escrever isso no meu álbum?".

D. Hélder arranca da batina uma caneta e põe lá: — "Quem tem passado é a adúltera recuperada". Na sua vaidade autoral, o arcebispo pergunta: — "Gostou?". E a moça: — "Lindinho!".

Agora era a vez da estagiária do Jornal do Brasil. Eis a pergunta: — "O que é que o senhor acha do amor?".

D. Hélder fez um risonho escândalo. Diz: — "Oh, oh!". E responde com outra pergunta: — "Que idade você tem?".

Resposta: — "Dezenove".

D. Hélder ralhou, alegremente: — "E como é que você, aos dezenove anos, fala em amor? O que é amor? Isso não existe, nunca existiu. O amor é a doença do sexo". Estaca ao som da própria frase. Diz: — "Acho que fui feliz". E repete: — "O amor é a doença do sexo". Estimulado pela frase, foi adiante: — "O amor tem que ser exterminado. Nunca a morbidez é do sexo, sempre do amor. O sexo é de uma pureza, de uma inocência, de uma saúde totais. Vejam a lição dos vira-latas e dos gatos vadios. Olhem a praça da República. Não se conhece um Werther entre os gatos do Campo de Santana. Jamais um vira-lata matou, ou se matou, ou deu manchete na Luta ou no Dia. Precisamos matar o amor!".

Era o fim. A aragem fina desfez a imprensa imaginária.

O Justino Martins tornou-se diáfano, o Cláudio Mello e Souza, incorpóreo, a estagiária, alada. Paletós, camisas, gravatas e sapatos, tudo se volatilizou.

E, por muito tempo, o terreno baldio ficou ressoante da sábia frase: — "O amor é a doença do sexo".

[15/6/1968]
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A Cabra Vadia: novas confissões / Nelson Rodrigues; seleção de Ruy Castro. — São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
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O homem, o bonde e a mulher

Cada um dá o golpe que quer. Uns ainda se escudam no manjadíssimo serão no escritório; outros preferem telefonar dizendo que chegou um amigo do interior; há os que só arranjam uma desculpa na hora de chegar.

Desta ou daquela maneira, maridos retardatários têm seus respectivos estilos, de acordo com as respectivas esposas.

As esposas, por sua vez, acreditam ou não; fingem acreditar ou não, e — por conta própria — têm suas maneiras de verificar se o que o marido contou ao chegar era verdade. Nunca é, mas... não custa nada admitir a hipótese, pois hipótese existe é para ser admitida.

Stanislaw tem um amigo que mora numa praça, cuja tem muitas árvores onde dormem muitos pardais. Para chegar em casa tem que passar pela praça e, quando chega depois que os passarinhos acordaram, a mulher controla a hora em que ele entrou pelo sujo que os passarinhos fizeram na roupa dele. Por isso o nosso amigo tem horror a passarinho.

Não sabemos se vocês leram a notícia de um bonde que perdeu a direção e entrou numa casa, na madrugada de 22 passada.

Nessa mesma noite, cavalheiro de nossas relações — cujo nome é impossível escrever aqui, pois não somos cronista mundano que nasceu para incrementar o desquite — saiu pela aí, desgarrado de casa, local para onde telefonou por volta de 7 da noitinha, avisando que ia à convenção do PSD (ele na hora esqueceu que votara no Jânio).

Calçado o regresso, pelo menos no seu entender, tomou umas e outras e telefonou mais uma vez, agora para uma desajustada em disponibilidade amorosa, que, quando se encontra em estado de "jogada fora", sai com ele.

Meteram um boteco legal, espalharam muita brasa e, quando os leiteiros já tinham recolhido as carrocinhas, ele chegou em casa. Eram 4 e lá vai perdigoto.

Tirou a roupa e deitou, como bom pessedista, fingindo que vinha da convenção, embora o bafo.

A mulher, no dia seguinte, não lhe dirigiu a palavra e ele, para confraternizar, puxou conversa de todo jeito, acabando por pegar o jornal e começar a ler. Ao passar os olhos na coluna de polícia, deu com o cabeçalho:

"De madrugada — bonde entra em casa."

Virou-se para a mulher, para tentar mais uma vez a pacificação, e disse:

— Ouve só, querida, que notícia curiosa. — E leu: — "De madrugada — bonde entra em casa."

A mulher olhou-o com desprezo e comentou apenas:

— Aposto como entrou mais cedo do que você

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Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto).
Fonte: O MELHOR DE STANISLAW - Crônicas Escolhidas - Seleção e organização de Valdemar Cavalcanti - Ilustrações de JAGUAR - 2.a edição - Rio - 1979 - Livraria José Olympio Editora.
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