sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Lauro Müller

O escritor catarinense Almiro Caldeira de Andrada certa vez afirmou que a história de Lauro Müller, sem ser fabulosa, é fascinante. O fascínio da sua vida, segundo o mesmo testemunho, decorre da grande força de vontade que superou os obstáculos de quem, sendo filho de imigrantes duma Província pequena, conquistou um a um os ideais que acalentara. Na pequena Vila do Santíssimo Sacramento do Itajaí, recém emancipada, à rua Municipal (que hoje leva o seu nome), a 8 de março de 1863, nasceu Lauro Severiano Müller; sétimo filho do casal Pedro Müller e Ana Michels.

Seu pai integrara a leva de alemães que se estabeleceram na colônia São Pedro de Alcântara em trabalhos agrícolas. Não tendo sucesso lá, Pedro Müller, a mulher e os primeiros filhos se mudaram para Itajaí, onde o chefe da família se estabeleceu como comerciante de fazenda e armarinhos. Sua casa, embora modesta, era um ponto de referência na Vila. Nela se hospedavam as pessoas graúdas e as autoridades que passassem por ltajaí.

Foi neste ambiente de colono germânico, lojista, boticário e compadre de todo mundo que o pequeno Lauro recebeu os primeiros ensinamentos da sua educação sadia. A primeira escola que freqüentou foi a do professor público Justino José da Silva, na própria Vila Natal. Não demorou muito para que a inteligência incomum do menino superasse os rudimentares ensinamentos daquela escola de desemburrar. Freqüentou depois a escola alemã de Itajaí e foi aluno do professor alemão Bruno Scharn, em Blumenau.

Quando se tornou moço, o pai quis fazê-lo agrimensor, mas e!e preferiu seguir para o Rio de Janeiro e iniciar-se no comércio com um parente. A breve experiência como caixeiro não lhe agradou e a carreira de comerciante foi abandonada.

Aos 19 anos assentou praça no Exército, decidindo-se pela vida militar. Matriculou-se a seguir na Escola Militar e, em 1885, foi promovido a alferes-aluno; em 1889, a segundo tenente, com o grau de bacharel em matemática e ciências físicas; chegando enfim ao posto de general.

Na Escola Militar, onde fervilhavam as idéias positivistas e a propaganda republicana ia acesa, fez-se discípulo achegado de Benjamim Constant, o patriarca da República. Não admirando que, proclamado o novo regime, a 2 de dezembro de 1889 fosse Lauro indicado para governar o seu Estado; tinha então 26 anos!

A sua administração, embora curta, foi extremamente hábil e proveitosa. Não demitiu ninguém e, sem traumatismos, fez adaptarem se ao novo regime todos os serviços públicos. Presidiu as primeiras eleições republicanas, dando mostras já da sua habilidade política e qualidades de chefe.

Afastado do Governo do Estado, cumpriu três mandatos de deputado federal, de 1891 a 1899, e outros cinco de senador, até 1923; em dois dos quais renunciaria para ocupar os cargos de Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas do Presidente Rodrigues Alves, em 1902 e de Ministro das Relações Exteriores do Presidente Hermes da Fonseca, em 1913.

Ainda voltaria a se eleger Governador de Santa Catarina em 1918, dentro de uma composição política havida para não cindir as forças republicanas do Estado. No entanto renunciou ao mandato antes de tomar posse, possibilitando a ascensão de Hercílio Luz, conforme previa o acordo.

Das suas administrações como Ministro, destacam-se as grandes obras realizadas no Rio de Janeiro, com vistas a sua modernização, e a melhoria do seu Porto quando Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas.

Como Ministro das Relações Exteriores, cabe destaque ao seu trabalho diplomático de integração das nações sul-americanas, o que lhe valeu o título de "Apóstolo da Solidariedade Sul-americana ".

Sua popularidade como homem público e orador emérito, e o reconhecimento da sua notabilidade como homem de cultura lhe propiciaram a eleição para a vaga aberta na Academia Brasileira de Letras com a morte do acadêmico Barão do Rio Branco. Em 16 de agosto de 1917 foi recebido na Academia.

Faleceu a 30 de julho de 1926 na cidade do Rio de Janeiro e seus conterrâneos o consideram merecidamente o maior dos catarinenses e o grande itajaiense.

Fonte: Pequena História de Itajaí - Prof. Edson d'Ávila.

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Índios do Vale do Itajaí

Quando os primeiros moradores vieram se fixar nas terras junto da foz do rio Itajaí-Açú, os indígenas ainda faziam frente à ocupação das mesmas; terras que o homem branco pouco a pouco lhes foi tomando. Estes índios eram os botocudos - do grupo tapuia e hoje conhecidos por Kaigangues - que do interior do Vale atacavam os moradores para matar ou roubar-lhes.

Os carijós, primitivos guaranis que moravam à beira mar, estes já estavam praticamente exterminados àquela época. Pacíficos e de boa índole, eles foram caçados e levados para os mercados de escravos de São Vicente e São Paulo (foto: Índios botocudos do Vale do Itajaí in "Índios e Brancos no Sul do Brasil" - Sílvio C. dos Santos).

Gabriel Soares de Souza, escritor da época afirma que os carijós viviam da caça e da pesca e sabiam muito bem manejar o arco e a flecha; e que moravam em casas cobertas e tapadas com cascas de árvores para se proteger do frio. Os botocudos, por sua vez, eram os mais temidos porque ariscos e defensores ferozes das suas terras.

Mesmo assim os primeiros brancos puderam, com relativo sossego, viver, plantar e colher com a presença temida dos índios. Estes ainda vinham até bem perto das casas e não se sabia onde eram os seus acampamentos porque ninguém ousava ir à sua procura. Os ataques eram poucos e sempre visavam ao furto de objetos caseiros, comida ou armas. Não eram muito freqüentes, mas traziam os moradores sempre assustados principalmente quando tinham suas casas afastadas de vizinhos. Quem tinha um roçado distante de casa não andava só ou desarmado; e os caçadores não iam longe.

Para atacarem, os índios agiam com o maior cuidado. Com paciência, durante dias espiavam o local do seu ataque. Quando havia grupos de pessoas ou alguém armado, nunca atacavam. Dos ataques e de mortes, contam-se alguns em Canhanduba, Itaipava, Limoeiro e Espinheiros. Tais ataques motivaram as autoridades a criar, anos depois, uma companhia de pedestres - isto é, de policiais, para proteger a população.

Da antiga presença dos índios em nossas terras, hoje só nos resta sua lembrança nos nomes de alguns lugares do Município: Canhanduba, Itaipava, Ariribá, Guaraponga e nosso nome - Itajaí.

Fonte: PEQUENA HISTÓRIA DE ITAJAÍ - Prof. Edson d'Ávila

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Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento

A Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento é o maior monumento artístico e cultural da cidade de Itajaí, Santa Catarina, verdadeiramente seu cartão postal.

A pedra fundamental foi lançada em 1940 pelo vigário Pe. José Locks, segundo o projeto do arquiteto alemão Simão Gramlich, o construtor de inúmeras igrejas catarinenses.

Sua arquitetura soma elementos românticos e seu interior tem as mais belas pinturas dos artistas italianos Emílio Cessa e Aldo Locatelli.

Apresenta em seus vitrais desenhos sobre motivos eucarísticos e bíblicos destacando o imenso painel da imaculada concepção da Virgem Maria no teto, e a imponente estátua de Moisés que desce do Sinai, obra do escultor Teichmann, colocada sobre o dossel.

A Igreja Matriz foi inaugurada em 15 de novembro de 1955 e a sua conclusão devido ao trabalho e dedicação do então vigário Monsenhor Vandelino Hobbold.

Algumas fotos tiradas com a minha câmera analógica Asahi Pentax, de seu interior, em março de 2000:

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